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Rosa Passos volta a cantar no Brasil

Arquivo Geral

25/01/2007 0h00

A cantora brasileira Rosa Passos já cantou para muitos públicos, desde o do Carnegie Hall de Nova York até o do Japão, encantando a todos com as saudosas e doces melodias brasileiras, entremeadas com toques de jazz.

Os críticos a saudaram como uma das maiores cantoras de bossa nova de todos os tempos. Ela já gravou com o mestre violoncelista Yo-Yo Ma e com os maiores jazzistas norte-americanos.

Agora, depois de tantos sucessos no exterior, ela está trazendo sua música de volta ao Brasil, onde nos últimos anos tem tido menos destaque.

Um concerto em agosto passado foi a primeira vez que Rosa se apresentou no país em cinco anos. Ela começou 2007 com uma temporada de shows num pequeno teatro de São Paulo, que teve todos os ingressos esgotados.

"É espantoso, não é?", disse ela à Reuters enquanto tomava um café em seu hotel, algumas horas antes de uma apresentação. "Quanto mais vou ao Japão, menos venho ao Brasil. Então estou retomando minha carreira no país. Estou muito feliz com isso".

Quero trazer para cá a música que canto lá fora. O pagamento é muito diferente, é uma coisa quase simbólica, mas eu quero fazer".

Os shows em São Paulo coincidem com duas datas notáveis para o mundo musical brasileiro: o 25º aniversário da morte da figura amada, mas trágica de Elis Regina, e o que teria sido o 80º aniversário do falecido Tom Jobim, um dos principais expoentes do movimento da bossa nova.

"É uma coincidência muito boa", disse Rosa. "Eles são as duas grandes referências de minha vida. Elis é minha cantora brasileira favorita, e Tom é minha maior influência como compositor".

Os shows em São Paulo, com sua banda de quatro instrumentos, renderam homenagem aos dois ícones, incluindo canções do repertório deles, como Águas de MarçoPor Causa de Você.

Também incluíram músicas de Dorival Caymmi, de Djavan e João Bosco e da própria Rosa Passos.

Sobre o palco, Rosa é uma figura pequena mas travessa que se mostra tão à vontade tocando uma balada no violão quanto liderando a banda num samba ou break. Ela borbulha de charme e tem um brilho no olhar mesmo quando canta amores perdidos.

Rosa também cita como influências importantes cantoras de jazz norte-americanas como Ella Fitzgerald, Nancy Wilson e Carmen McCare.

"Meus músicos são muito jazzistas e há espaço para cada um", disse ela na entrevista. "Isto é jazz, mas um jazz com cara brasileira".

Ela nasceu na Bahia, a mais nova de cinco irmãos. Seu pai inspirou todos os irmãos a fazerem música.

"Todos nós tivemos a chance de estudar um instrumento. Meu pai sempre teve aquele pensamento de incluir a boa música em nossas vidas".

Quando adolescente, ela passou do piano para o violão depois de ouvir João Gilberto, baiano que se mudara para o Rio de Janeiro e, ao lado de Jobim, criara o som da bossa nova.

Depois de fazer carreira no Brasil, Rosa se afastou do cenário musical por alguns anos para cuidar de seus filhos, voltando a gravar e a fazer turnês em 1985. Ela ainda mora em Brasília, em vez de viver num centro musical como o Rio ou Salvador.

Seu perfil internacional alcançou um nível mais alto quando, em 2003, ela tocou no disco Obrigado, Brasil, de Yo-Yo Ma, e mais tarde percorreu o mundo com ele. A crítica se derramou em elogios a sua voz ágil, mas terna.

Em seguida ela gravou Amorosa, um tributo a João Gilberto, pela Sony Classics. Seu álbum mais recente, Rosa, lançado no ano passado pela Telarc, representa uma volta ao básico – é apenas Rosa e seu violão.

Um desafio que ela enfrenta é o status da bossa nova no Brasil de hoje. A maioria dos jovens brasileiros ouve rock, reggae e rap. A bossa nova nunca foi vista como música das massas, embora sua popularidade tenha crescido um pouco ultimamente graças à moda da techno-bossa.

Mas Rosa acredita que a música brasileira tradicional é atemporal e não tem fronteiras, apontando para artistas como Sting e Diana Krall, que aderiram a ela.

"Todos eles gostam da música brasileira, a verdadeira música brasileira de qualidade. Ela encanta as pessoas por sua melodia, harmonia, letras, ritmo. A dinâmica da música brasileira é muito linda. O bom samba, a boa bossa nova, tudo com qualidade".

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