A clássica receita de Romeu e Julieta, de William Shakespeare, apimentada com a naturalidade e o entrosamento de Danton Mello e Regiane Alves, funcionou, e muito, em Cabocla. A novela bate média de 35 pontos de audiência e o amor impossível entre Neco e Belinha, filhos de famílias rivais, encanta o público, que torce por eles, com a certeza de que terão final feliz. Para o diretor Ricardo Waddington, o sucesso do casal – que também agradou com Simone Carvalho e Kadu Moliterno, em 1979, na primeira versão – prova que o amor romântico continua em alta.
“Histórias de amor são atemporais, mexem com o coração das pessoas”, aposta Ricardo, lembrando que a trama de Benedito Ruy Barbosa não tem cenas sensuais. “Não é uma questão de pudor, mas Benedito queria uma novela extremamente romântica”, explica Ricardo.
“Belinha e Neco se beijaram poucas vezes. Empolga por causa do encontro do olhar entre os dois. Eles não se tocam nem se abraçam muito, mas têm vontade. Isso provoca o imaginário. Quando se beijam concretizam a expectativa”, acredita Edilene Barbosa, que adapta a obra do pai ao lado da irmã, Edmara.
Regiane concorda. “Eles são puros, mas não ingênuos. Acreditam no amor impossível. Os encontros às escondidas também são atrativos”, opina a atriz, de 26 anos. “Apesar de hoje em dia ser comum ficar com muita gente, o público curte uma outra época, 1920, lúdica e mágica”, completa Danton, de 29 anos. “O Neco luta pela Belinha. Bateu o olho nela, quer se casar, ter filhos. Não é como hoje”, compara o ator. Faz sentido
Super-envolvida com o trabalho, Regiane confessa aprender com Belinha. “Conforme envelhecemos, não sentimos mais aquele amor da adolescência, o amor que os pais nos ensinaram, de contos de fadas. A Belinha é muito mais romântica do que eu”, entrega a atriz, casada há quatro anos com André Felipe, um dos diretores da novela. “Às vezes, ele me dirige, mas o respeito muito. Obedeço ao que ele manda”, brinca a atriz.
Quando foi exibida em 1979, Cabocla sofria com a censura. “Na versão atual, criamos mais encontros entre Belinha e Neco. Demos mais ênfase à relação dela com a mãe, Emerenciana (Patrícia Pillar), que aprova o namoro. Belinha continua submissa ao pai, Boanerges (Tony Ramos), mas tem opiniões fortes”, entrega Edilene, que se emociona. “Parei para respirar e recuperar o fôlego quando escrevi a morte do bebê de Emerenciana”, admite a autora.
Nos próximos capítulos, Neco se candidata à prefeitura. “Ele será eleito, ficará com Belinha e o casal terá vários filhos”, adianta Edilene.