Não chega a ser uma grande obra e deixa claro seu caráter descartável – de música coladinha que pega no rádio e vira hit fácil e efêmero entre os jovens –, mas é histórico. Rodox, o segundo CD da banda de mesmo nome fundada após a rebelião iniciada por Rodolfo Abrantes nos Raimundos, reúne, pela primeira vez numa produção fonográfica, músicos brasilienses da geração anos 80 e que hoje ocupam papel de destaque na música nacional. Tom Capone, ex-Peter Perfeito – de onde também saiu o baixista Caniço, outro desgarrado dos Raimundos –, Álvaro Alencar – ex-Pânico! – e Wagner Viana – também ex-Peter –, assinam, respectivamente, direção artística, produção e produção executiva do segundo “solo” de Rodolfo. E dá para sentir, nitidamente, a mão de cada um deles dentro do trabalho. As bases, embora alardeadas por Rodolfo como sendo um trabalho próprio, diferente dos Raimundos, lembram o som pop e pesado do Peter Perfeito. A forma de mixar igualando voz e instrumental é característica de Álvaro. A influência de Wagner, nos vocais, é evidente. A preparação do repertório incluiu algumas seções em estúdio e outras por telefone, quando o cantor trocou idéias com os outros integrantes da banda. O Rodox está dividido entre três cidades. Rodolfo mora em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, onde pode surfar como mais deseja, e o resto da banda fica na ponte aérea Rio-São Paulo. O carro-chefe do novo trabalho é De Costas Para o Mar, que já está nas rádios. Ao lado de Truth, Foi Bom Esperar e Beach Punx representam o que há de melhor nesse disco. O resto do repertório é dispensável.