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Roberto Carlos completa 66 anos de idade

Arquivo Geral

19/04/2007 0h00

Roberto Carlos completa hoje 66 anos de vida: um número que o deixa ligado. Contrastando superstições popularescas com uma inabalável fé em Deus, embora já não acredite mais em milagres, Roberto gosta muito do 66 – porque, em 1966, ele e Pelé eram as figuras públicas mais populares do País, os dois “reis” que o povão brasileiro entronizava.

Nesta sua conduta de respeitar detalhes, Roberto gosta também do mês de agosto. Naquele mês, em 1959, Carlos Imperial obteve, do apresentador de TV Abelardo Barbosa, o Chacrinha, uma  carta de apresentação para o diretor da gravadora Polydor, Rafael de Almeida, o que resultou em suas primeiras gravações – João e Maria e Fora do Tom. Dois agostos depois, lançava o seu primeiro LP, com 14 canções e  excelente índice de execução nas rádios cariocas. Assim foi que, a partir do agosto de 1965, ele estourou com a Jovem Guarda.

Hoje, a caminho da sétima década de vida, Roberto Carlos reflete sobre aqueles tempos de sonhos delirantes – e vê que, enquanto iniciava um reinado, enfrentava também o maior preconceito que a música popular brasileira já conheceu: aos olhos da galera da Bossa Nova, sua turma era vista como alienada e despolitizada. Ocorre que os bossa-novistas, em 1961, no auge, já tomavam os espaços que a música jovem ocupava nos programas radiofônicos cariocas, como Hoje é Dia de Rock, Clube do Rock e Crush em Hi-Fi.

Sob a ótica dos arautos da bossa nova, a “Turma do Roberto” fazia letras primárias, pobres, com harmonias de no máximo três acordes; e, pior ainda, essa nova galera afrontava o seu nacionalismo, mandando ver com as guitarras elétricas. Isso, além da poluição visual passada por blusões com botões coloridos, calças saint-tropez, botinhas à moda Beatles e um vocabulário repleto de gírias – apesar de tratar-se de uma linguagem suburbana   brasileiríssima, espontânea, simples e direta. Identificava-se com o povão, por ser mais fácil de ser decorada, cantada, ao contrário da bossa nova, que – falando em reivindicação de nacionalismo, a propósito – flertava com o jazz norte-americano.

Preconceito e antipatia
Sem poder conter a “Patota do Roberto”, que cantava pelo Brasil todo, fazendo a sua música ser aceita por todas as idades e classes sociais, era natural que uma bossa nova fechada e elitizada reagisse com preconceito e antipatia. Jorge Ben (hoje, Ben Jor), por exemplo, foi escorraçado de O Fino da Bossa, programa da TV Record, porque não usava um banquinho e um violão para cantar. Jogava uma guitarra elétrica no pescoço e mandava ver, em pé – definitivamente, uma postura inadmissível para os bossanovistas.

Enquanto Jorge Ben usava uma “batida indecente” para seu samba jovem, e Wilson Simonal criava o estilo “pilantragem”,  Jair Rodrigues percebeu logo que o mercado interno,  naquele momento, era da Jovem Guarda – e que Roberto era “o cara”. Não adiantava Gilberto Gil, Caetano Veloso, Edu Lobo e nenhum outro nome consagrado da música popular brasileira fazer passeata –  em São Paulo  – contra as guitarras elétricas. Maria Bethânia estaria ali na esquina, pouco tempo depois, esperando pelo mano Caetano e por Gil, mandando-os “assuntarem” melhor o que a “Galera do Rei” fazia. Foi o bastante para o “estrangeirismo” das guitarras elétricas levar os baianos a criarem o Tropicalismo.

Maria Bethânia não só abriu caminho para o fim do preconceito contra a Jovem Guarda, como, em 1996, vendeu mais de 1 milhão de CDs, cantando Roberto. Caetano, um ano antes, gravara o O Calhambeque, em uma coletânea comemorativa dos 30 anos do movimento que consagrara as jovens tardes de domingo. Mas, em 1978, os bossanovistas já haviam tirado o chapéu para a Jovem Guarda, quando Nara Leão, a musa da bossa nova, gravou um LP só com músicas do Roberto – uma delas o maior hit de um movimento que dava à TV uma audiência de três milhões de almas: Quero que vá Tudo pro Inferno.

Enfim, o maior preconceito na música popular brasileira passou, e Roberto sobreviveu. Parabéns para ele!


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