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RIQUEZA nos detalhes

Arquivo Geral

02/07/2003 0h00

São Paulo – Bem antes de as portas do prédio da Bienal se abrirem, a equipe de Amir Slama, da Rosa Chá, estava à beira de um ataque de estresse. A top Naomi Campbell, de 33 anos, perdeu o vôo que a traria de Nova York e não sabia se chegaria tempo. O helicóptero do amigo João Paulo Diniz foi buscá-la às pressas no aeroporto e levou-a para o heliporto do supermercado de sua família. Ela foi correndo para os bastidores se arrumar. Estava simpática e em companhia de amigos brasileiros. A vontade de vê-la era desejo de muitos. Houve engarrafamento nas vias próximas ao Parque Ibirapuera, centenas de pessoas distribuídas pelos inúmeros telões da Bienal e confusão para entrar na sala de desfiles, lotada com 1,5 mil convidados. Naomi não abriu a apresentação, como é o costume: esperou todas as tops desfilarem para surgir na passarela, toda espelhada com uma escultura de um ouriço de vidro no meio, num comportado maiô recortado em estampa de pele-de-cobra. Pernas longas e malhadas, bumbum durinho, cabelos longos e repartidos de lado com quatro presilhas de cristal. Na frente dos fotógrafos, aquele sorriso brejeiro que Gisele Bündchen escondeu no dia anterior. Na segunda entrada, outro maiô com sobreposição de escamas de paetês na parte de cima e mais paetês vazados dourados na calcinha. O look remetia ao corpo mulher-sereia. Outro largo sorriso. Naomi nunca se mostrou tão contente numa passarela. Para finalizar a noite, a marca preparou uma festa poderosíssima para ela numa das boates mais badaladas da cidade. Sobre a coleção, a Rosa Chá inspirou-se no folclore e nas lendas do fundo do mar. Mostrou sacis, curupiras e iaras em peças recortadas. A maioria ostentava recortes estratégicos, que revelava boa parte do bumbum.

A atual temporada de moda brasileira, que começou segunda-feira e se estende até sábado no Parque Ibirapuera, este ano está com uma atmosfera diferente. Há muito se fala em crise econômica e seus reflexos no segmento, mas os estilistas do prêt-à-porter de luxo, na verdade, nunca deram muita importância a esse discurso, e sempre deixaram prevalecer o elemento criativo. Afinal, “fale bem, fale mal, mas consuma-me” – este é o lema da moda.

Nesta temporada, envolvidos pela sensação de que o Brasil pode, de fato, estar dando o pontapé inicial para suas verdadeiras reformas, os criadores mudaram a postura, quase que num gesto de consentimento, de adesão ao que está por vir. Até porque errar na moda significa perder não só prestígio, mas muito dinheiro.

Modelagem, corte, formas, proporções… Nada do que vem sendo visto nesta semana será exatamente uma novidade para os profissionais da área ou para os consumidores informados. Mas isso não significa que o verão será pouco atraente. Pelo contrário. A riqueza das coleções estará nos detalhes. Agora é a hora de exercício da criação, de fazer uma moda acessível e atraente em meio ao que já está estabelecido.

A consultora de moda Glorinha Kalil definiu bem o cenário: “Imagine que o segmento está na boca da Avenida, pronto para desfilar. O momento é de reserva, de concentração para a hora do show. O Brasil pede um pouco de reflexão”.

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    02/07/2003 0h00

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    A atual temporada de moda brasileira, que começou segunda-feira e se estende até sábado no Parque Ibirapuera, este ano está com uma atmosfera diferente. Há muito se fala em crise econômica e seus reflexos no segmento, mas os estilistas do prêt-à-porter de luxo, na verdade, nunca deram muita importância a esse discurso, e sempre deixaram prevalecer o elemento criativo. Afinal, “fale bem, fale mal, mas consuma-me” – este é o lema da moda.

    Nesta temporada, envolvidos pela sensação de que o Brasil pode, de fato, estar dando o pontapé inicial para suas verdadeiras reformas, os criadores mudaram a postura, quase que num gesto de consentimento, de adesão ao que está por vir. Até porque errar na moda significa perder não só prestígio, mas muito dinheiro.

    Modelagem, corte, formas, proporções… Nada do que vem sendo visto nesta semana será exatamente uma novidade para os profissionais da área ou para os consumidores informados. Mas isso não significa que o verão será pouco atraente. Pelo contrário. A riqueza das coleções estará nos detalhes. Agora é a hora de exercício da criação, de fazer uma moda acessível e atraente em meio ao que já está estabelecido.

    A consultora de moda Glorinha Kalil definiu bem o cenário: “Imagine que o segmento está na boca da Avenida, pronto para desfilar. O momento é de reserva, de concentração para a hora do show. O Brasil pede um pouco de reflexão”.

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