Sexo. O termo é forte, diz muito e, principalmente antes da liberação sexual promovida pela crescente comunidade hippie nos anos 60 e 70, era um tabu praticamente intrasnponível. Nos conservadores anos 40, o mundo conheceu um dos primeiros homens a ousar decifrar aquelas quatro letras – até então censuradas fora do relacionamento a dois entre paredes (ou mesmo dentro da intimidade do casal). Este homem de fibra fora o sexólogo americano Alfred Charles Kinsey, cuja trajetória é reconstituída no inédito Kinsey – Vamos Falar de Sexo, hoje nos cinemas da cidade.
O personagem-título em questão foi pioneiro na pesquisa da sexualidade humana. Incompreendido e muitas vezes visto como pervertido, Kinsey foi a voz de uma sociedade reprimida. Tão logo desvendou mistérios sobre o tema, publicou o polêmico livro Comportamento Sexual do Homem, em 1948. Ele quebrou o silêncio mórbido da discussão da sexualidade ao apresentar na publicação dados que apontam que quase 100% dos homens se masturbam, 50% dos casados têm sexo extraconjugal e 37% tiveram pelo menos uma experiência homossexual. Para dar vida ao pesquisador na telona, o diretor Bill Condon (de Deuses e Monstros) escalou o veterano ator irlandês Liam Neeson (Gangues de Nova York, Star Wars Episódio I e A Lista de Schindler).
Condon é também responsável pelo roteiro do filme. Para reescrever os anos do personagem, o cineasta entrevistou vários colegas do verdadeiro Kinsey. A cinebiografia acompanha a própria pesquisa comportamental do sexólogo, por meio das entrevistas que fazia com casais e médicos especialistas. A produção aborda ainda a ousadia do chamado “doutor do sexo” ao falar abertamente sobre homossexualidade, traição e sexo com prostitutas. Em 1953, Kinsey cutucou novamente a ferida da sociedade conservadora americana com a seqüência de seus estudos: Comportamento Sexual da Mulher.
Dois personagens acompanham a carreira de Kinsey na intimidade. A mais importante figura é a de Clara Kinsey, esposa do sexólogo e entusiasta de suas anotações. Clara ganha nova vida com a atriz Laura Linney (que atuou com Liam Neeson em Simplesmente Amor). O papel de Linney em Kinsey lhe rendeu inicação ao Oscar 2005 de melhor coadjuvante – perdeu para Cate Blanchett, de O Aviador. O segundo personagem da “guerra” intelectual de Alfred Kinsey é Wardell Pomeroy, parceiro de pesquisas do protagonista.