Desde que o grupo Mamonas Assassinas começou a fazer sucesso, um pesadelo perseguia dona Célia, mãe do vocalista Dinho. Ela sonhava sempre com um desastre de avião e com uma pessoa lhe entregando uma coroa de flores e dizendo “meus pêsames”. “Vivi à base de medicamentos por muito tempo e ninguém sabia. Fui parar num psiquiatra”, conta ela no livro Mamonas Assassinas — O show deve continuar…, de E. Chérri Filho, que chega às livrarias oito anos após o acidente aéreo que matou Dinho e os outros Mamonas.
Além de intimidades da família de Dinho — foi a mãe do cantor que convidou o autor para fazer a biografia —, o livro traz histórias inéditas, como uma quase prisão em Vitória, no Espírito Santo. “Eles tinham que terminar o show até as 23h15m. Mas passaram da hora e foram para a delegacia. Lá, ficaram duas horas fazendo bagunça. Deram uma canseira no delegado, que os liberou”, conta o autor.
Programa de TVO livro Mamonas Assassinas — O show deve continuar… traz curiosidades sobre a carreira do grupo. O sucesso Rococop Gay, por exemplo, ia ser intitulado como Demerval, o Machão, em homenagem ao primo de Dinho, um cara machista.
A forma peculiar dos meninos de compor e ensaiar também é um dos destaques: Dinho ia tomar banho, ficava cantando no chuveiro, enquanto os outros tocavam violão sentados no banheiro. Outra revelação da biografia diz respeito a um projeto interrompido pelo acidente: Tom Cavalcante havia convidado Dinho para fazer um programa com ele na TV.
Em outro depoimento da biografia, dona Célia conta que mesmo com toda a alegria de Dinho, tinha dias em que o filho ficava triste e sentia saudade da mãe, chamando a atenção dela. “Ele falava: “Mãe, briga comigo, briga”. Ele até tirou uma cinta e disse: “Mãe bate em mim”. Mas eu não podia fazer isso, eu quase não o via”, conta no livro dona Célia.
O livro deixou satisfeitos os fãs dos Mamonas. “Adorei saber que a história do grupo está sendo contada em um livro. As pessoas vão saber que os rapazes eram engraçados no dia-a-dia”, diz o presidente do fã-clube Eita Mamonas, Roberto Nicolai, que é dono da Brasília amarela, carro que aparecia no clipe do sucesso “Pelados em Santos”.
Hoje, o advogado Nilson Moreira Filho dá entrada na Justiça paulista para reabrir o processo, que estava arquivado, sobre a causa do acidente de avião que matou os Mamonas, em 3 de março de 1996.