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Retrô, segundo CD solo de Frejat dá saudades do Barão

Arquivo Geral

01/07/2003 0h00

Frejat parece ter-se cansado de andar sozinho. O disco novo do guitarrista é um disco velho. Velho, bobo e que de solo não tem nada. O veterano roqueiro parece ter-se perdido numa viagem ao passado, falando de amor à maneira juvenil, procurando o rock em sua forma mais básica e atuando em grupo que poderia ser o Barão Vermelho. Completa contradição em relação à boa estréia solitária.

Sobre Nós 2 e o Resto do Mundo é um disco propositalmente retrô, mas como quem bebeu demais na fonte de Ponce de Leon, Frejat voltou à adolescência cantando versos como “eu preciso te tirar do sério e desvendar os seus mistérios” e aplicando canções frágeis, que não representam evolução ou mesmo diferença com o que ele faz no Barão Vermelho – até porque os companheiros de grupo aparecem salpicados pelas 11 faixas (há duas versões extras de Eu Preciso Te Tirar do Sério, uma com vídeo).

Num disco pop, o fato de nenhuma canção marcar o ouvido nas primeiras audições pode respresentar a morte. E este CD não tem impacto, não se torna necessário nem por 15 minutos, deixa o ouvinte indiferente por vários minutos e chama muito mais a atenção pelo que falta do que pelo realiza. Na verdade, é fácil detectar que Frejat preferiu voltar ao caminho do velho grupo, como quem prepara a volta, do que insistir na trilha aberta com o primeiro solo.

O guitarrista cola diversas influências; desde um original menor de Cazuza (Trapaça da Dor), a Renato Russo (a piegas Desculpas Já Não Peço Mais), de Neil Young/Gordon Lighfoot (três minutos) a Santana (a mesma Trapaça da Dor). Em tudo o déjà-vu esbarra na falta de inspiração das formações usadas para a gravação, que se traduzem numa falta de unidade que fazem do disco uma colagem.

A situação melhora muito na parceria entre Frejat e o pai-de-todos Erasmo Carlos, em Paz Nunca Mais, letra que o tremendão tirou do bolso assim que o guitarrista cobrou-lhe uma parceria. A vivacidade da letra, que trabalha a metalinguagem quando o cantor interfere na história para exigir um final feliz para o personagem citado na canção, é acompanhada com a interrupção melódica e pelo salto para uma frase mais aberta. Em uma música, a última do disco, Frejat mostra como a ousadia fez falta a seu segundo solo.

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    01/07/2003 0h00

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    Sobre Nós 2 e o Resto do Mundo é um disco propositalmente retrô, mas como quem bebeu demais na fonte de Ponce de Leon, Frejat voltou à adolescência cantando versos como “eu preciso te tirar do sério e desvendar os seus mistérios” e aplicando canções frágeis, que não representam evolução ou mesmo diferença com o que ele faz no Barão Vermelho – até porque os companheiros de grupo aparecem salpicados pelas 11 faixas (há duas versões extras de Eu Preciso Te Tirar do Sério, uma com vídeo).

    Num disco pop, o fato de nenhuma canção marcar o ouvido nas primeiras audições pode respresentar a morte. E este CD não tem impacto, não se torna necessário nem por 15 minutos, deixa o ouvinte indiferente por vários minutos e chama muito mais a atenção pelo que falta do que pelo realiza. Na verdade, é fácil detectar que Frejat preferiu voltar ao caminho do velho grupo, como quem prepara a volta, do que insistir na trilha aberta com o primeiro solo.

    O guitarrista cola diversas influências; desde um original menor de Cazuza (Trapaça da Dor), a Renato Russo (a piegas Desculpas Já Não Peço Mais), de Neil Young/Gordon Lighfoot (três minutos) a Santana (a mesma Trapaça da Dor). Em tudo o déjà-vu esbarra na falta de inspiração das formações usadas para a gravação, que se traduzem numa falta de unidade que fazem do disco uma colagem.

    A situação melhora muito na parceria entre Frejat e o pai-de-todos Erasmo Carlos, em Paz Nunca Mais, letra que o tremendão tirou do bolso assim que o guitarrista cobrou-lhe uma parceria. A vivacidade da letra, que trabalha a metalinguagem quando o cantor interfere na história para exigir um final feliz para o personagem citado na canção, é acompanhada com a interrupção melódica e pelo salto para uma frase mais aberta. Em uma música, a última do disco, Frejat mostra como a ousadia fez falta a seu segundo solo.

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