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Retirada das amígdalas gera controvérsia

Arquivo Geral

06/09/2004 0h00

Houve um tempo em que tirar as amígdalas era moda. Esse tecido linfóide causava com alguma freqüencia, quando afetado, infecção, febre, perturbações no sono, e até deformações na arcada dentária e surdez, entre outras pequenas implicações. Retirá-lo era uma saída natural para se evitar tudo aquilo.

A retirada das amígdalas e da adenóide, que são parte fundamental do sistema de defesa do corpo humano nos primeiros anos de vida, por tudo o que provocavam, era uma polêmica no meio médico. Tirá-las ou não, eis a questão.

“Também existe moda na medicina”, diz o pediatra Bernardo Ejzenberg, coordenador de pesquisas da divisão de Pediatria do Hospital Universitário da USP. Segundo ele, essas tonsilas (como são conheciudas também as amígdalas e a adenóide) sempre foram vistas “ou como mocinhas ou como bandidas”.

“Houve um surto de retirada das amígdalas e da adenóide que aconteceu até meados dos anos 60. Acreditava-se que a cirurgia era favorável de modo geral, já que elas eram consideradas um potencial foco de infecção. Crianças que não comiam bem ou que não cresciam, mesmo que não tivessem infecções, recebiam indicação para a cirurgia. Até mesmo irmãos de crianças que tinham problemas eram operados. Os médicos faziam a retirada por atacado”, afirma o pediatra.

Esse conceito de moda, contudo, mudaria com o passar dos anos. A decada de 80 marcou esta mudança. Nesse período, segundo Ejzenberg a retirada foi considerada um “sacrilégio”, já que as “benditas” fazem parte do sistema de defesa do organismo, funcionando como uma espécie de alarme que dispara a produção de células de defesa e anticorpos. “Mesmo pessoas que tinham múltiplas infecções não eram operadas”, diz.

O médico do Hospital da USP acredita que o excesso da retirada, assim como a falta, estava errado. “A partir dos anos 90, temos indicações precisas para a cirurgia”, afirma. “Hoje em dia, há indicações somente para a retirada da adenóide (e não das amígdalas), em casos de otite (inflamação do ouvido) recorrente e/ou obstrução das vias nasais”, diz.

Para a dominuição das operações de retirada houve um fator preponderamte, de acordo com a pediatra Lucila Bizari Fernandes do Prado, coordenadora do Laboratório de Sono da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo): a difusão do uso dos antibióticos. depois da Segunda Guerra Mundial.

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    A retirada das amígdalas e da adenóide, que são parte fundamental do sistema de defesa do corpo humano nos primeiros anos de vida, por tudo o que provocavam, era uma polêmica no meio médico. Tirá-las ou não, eis a questão.

    “Também existe moda na medicina”, diz o pediatra Bernardo Ejzenberg, coordenador de pesquisas da divisão de Pediatria do Hospital Universitário da USP. Segundo ele, essas tonsilas (como são conheciudas também as amígdalas e a adenóide) sempre foram vistas “ou como mocinhas ou como bandidas”.

    “Houve um surto de retirada das amígdalas e da adenóide que aconteceu até meados dos anos 60. Acreditava-se que a cirurgia era favorável de modo geral, já que elas eram consideradas um potencial foco de infecção. Crianças que não comiam bem ou que não cresciam, mesmo que não tivessem infecções, recebiam indicação para a cirurgia. Até mesmo irmãos de crianças que tinham problemas eram operados. Os médicos faziam a retirada por atacado”, afirma o pediatra.

    Esse conceito de moda, contudo, mudaria com o passar dos anos. A decada de 80 marcou esta mudança. Nesse período, segundo Ejzenberg a retirada foi considerada um “sacrilégio”, já que as “benditas” fazem parte do sistema de defesa do organismo, funcionando como uma espécie de alarme que dispara a produção de células de defesa e anticorpos. “Mesmo pessoas que tinham múltiplas infecções não eram operadas”, diz.

    O médico do Hospital da USP acredita que o excesso da retirada, assim como a falta, estava errado. “A partir dos anos 90, temos indicações precisas para a cirurgia”, afirma. “Hoje em dia, há indicações somente para a retirada da adenóide (e não das amígdalas), em casos de otite (inflamação do ouvido) recorrente e/ou obstrução das vias nasais”, diz.

    Para a dominuição das operações de retirada houve um fator preponderamte, de acordo com a pediatra Lucila Bizari Fernandes do Prado, coordenadora do Laboratório de Sono da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo): a difusão do uso dos antibióticos. depois da Segunda Guerra Mundial.

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