Não se trata da banda precursora do indie rock, nem mesmo de um dos maiores representantes do gênero. Porém, a banda inglesa Placebo – que faz escala, hoje, em Brasília com o show Once More With Feeling – sagrou-se como reinventora do visual glam. Na verdade, este é mais um estigma com o qual a banda tem de lidar desde sua participação no filme Velvet Goldmine (1998) e por ter sua imagem constantemente associada ao camaleão David Bowie, que apadrinhou o trio em sua formação, em 1996.
Em entrevista coletiva, em São Paulo, Brian Molko (voz e guitarra), Steve Hewit (bateria) e Stefan Olsdal (baixo) se disseram uma banda mais “desencanada”. “Pela primeira vez em nossa carreira, decidimos não ser tão difíceis. Vamos dar ao público o que ele quer”, disse o líder Molko, referindo-se ao repertório do show, que contempla somente os maiores sucessos da banda. Assim, também, Molko criticou o rótulo conferido ao power trio andrógino e se recusou a falar sobre Bowie. “Tudo menos glam rock”, declarou.
O distanciamento da postura porpurinada da cultura pop setentista tentou ser reafirmado por Molko e companhia nesta turnê brasileira, ao entrar em cena no Abril Pro Rock, em Recife, com visual comportado (camisa social e calças jeans). Na seqüência por Salvador, Porto Alegre e Florianópolis, Molko adicionou uma gravata com nó aberto e poses mais caricatas para interpretar os hits Every You Every Me, Taste in Men, Special K, 36 Degrees, Pure Morning, Nancy Boy e Twenty Years.
Terminada a turnê, a banda retorna a Londres para trabalhar em seu próximo álbum de estúdio. O baterista Steve, que adiantou a agenda para a imprensa, não quis revelar nada a respeito do que estão preparando.
seletiva A turnê brasileira do Placebo acompanha a primeira etapa de seleção de bandas para o festival Claro Que é Rock, programado para ocorrer no mês de setembro em São Paulo e Rio de Janeiro. Na seletiva de Recife, no dia 15 deste mês, saiu vencedora a banda paraibana Star 61 – seguidora do glam rock de T-Rex e David Bowie (e indiretamente, Placebo). Em Salvador, no dia 17, o grupo que saiu com a glória de participar do festival foi o baiano Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicleta – uma espécie de Arrigo Barnabé do punk rock. A etapa de Porto Alegre também definiu sua vencedora: Cartolas.
A seletiva que ocorre, hoje, na Concha Acústica, contempla cinco bandas do Centro-Oeste que fazem bem o tipo do indie rock sisudo do Placebo (na maioria). Quatro são de Brasília e uma da frutífera cena do rock garagem de Goiânia. Duas, entretanto, foram desclassificadas. A organização do Claro Que é Rock tirou de cena a Bois de Gerião e a goiana Violins, “por estarem em desacordo com o regulamento”.
O time local que abre para o Placebo será, então, formado pela experimental Superquadra, a retrô Sapatos Bicolores, a barulhenta (sem nem um pouco de glam) 10zer04 e as substitutas Suíte Super Luxo – que agora ganha o merecido espaço perdido no Porão do Rock 2004, e Valentina. Esta última, cria da Monstro Discos de Goiânia, tem entre suas influências o próprio som do trio de Brian Molko.
No total, serão escolhidas oito bandas para tocar ao lado de grandes nomes do rock nacional e internacional no evento. As bandas serão selecionadas com base em suas performances na abertura para o Placebo em cada um dos oito shows do trio britânico no País – com paradas ainda na capital (hoje), Campinas (26), São Paulo (27) e Rio de Janeiro (29). Os conjuntos qualificados recebem como prêmio R$ 15 mil em equipamentos.
serviço
Claro Que é Rock – Seletiva Centro-Oeste do festival, com show da banda Placebo. Abertura com Superquadra, Suíte Super Luxo, 10zer04, Sapatos Bicolores e Valentina. Hoje, a partir das 21h, na Concha Acústica (Projeto Orla, próximo ao Palácio da Alvorada). Ingressos a R$ 30 (inteira). À venda nas lojas Claro (Pátio Brasil e Conjunto Nacional).