A banda paulista Ratos de Porão pode ser considerada uma instituição do punk rock nacional. A longevidade que atingiram – este ano completam 23 anos – representa a resistência, a paixão pelo hardcore crust e o louvor ao underground. Sem se dobrar ao mainstream ou fazer concessões a modismos sazonais, o RDP segue sua trajetória e traz amanhã, para o Pistão Park Show, em Taguatinga, seu 19º álbum, Onisciente Coletivo.
O Ratos está com novo baixista – saiu o junkie Fralda e entrou o vegetariano Juninho Bin Lacto. Este ano, segundo o baterista Boka, pretendem retornar aos palcos da Europa, onde têm grande público.
A primeira vez que tocaram em Brasília foi em 1986, no extinto Gran Circo Lar. “Tínhamos acabado de lançar o LP Descanse em Paz, e fomos bastante hostilizados”, lembra o vocalista João Francisco Benedan, o João Gordo – apresentador da MTV há oito anos. Na época, o som do grupo havia metamorfoseado do hardcore cru e sem firulas, para um crossover, com muita influência de bandas trash metal. A mudança desencadeou a ira dos punks mais radicais, que passaram a tratar João Gordo como traidor.
A última passagem do Ratos de Porão pela Capital foi em 2001, no festival Porão do Rock, quando tocaram para um público de 60 mil pessoas. “Foi o ápice, mas cantei sentado, sentindo dores horríveis”, disse Gordo exclusivamente ao Jornal de Brasília.
Neste período, o vocalista estava com sérios problemas causados pela obesidade. Hoje, se diz aliviado por ter emagrecido 60 quilos, depois de uma operação para reduzir o estômago. Recentemente, estreou novo programa na MTV, Gordo à Bolonhesa, no qual mostra seus dotes culinários. Para o show, o vocalista adianta: “Demos um up grade. Estamos mais afiados que nunca e a molecada vai notar”.