Domingo à noite, no Festival de Cinema de Londres, Fiennes recebeu o prêmio Variety UK Achievement Film Award por sua “contribuição artística” à indústria do cinema e sua “reputação irrepreensível” na dedicação à arte da interpretação.
O protagonista de O Paciente Inglês explicou na cerimônia que “só questionando e examinando seu lado obscuro” é possível entender o ser humano, que não é bom ou mau, mas tem dúvidas e pode mudar.
Fiennes disse que o trabalho do ator consiste em interpretar uma história de modo a que desperte curiosidade na platéia, que faça mudar algo em seu interior, não pregando, mas convidando à reflexão.
“É o elemento da confusão que gera perguntas sobre o que tem valor no cinema”, destacou.
O intérprete de O Jardineiro Fiel, que se considera “muito sortudo” por ter interpretado personagens diferentes e ter podido fugir do papel único, afirmou que um ator nunca deixa de aprender.
Apesar de estar ligado ao cinema há quase 20 anos, o ator não hesita em interromper seus projetos para a telona quando acha uma peça teatral que o interessa.
“Gosto de atuar com o público ao vivo. Posso sentir a energia no ar enquanto falo e me ouvem, e isso para o drama é muito poderoso”, destacou.
Fiennes, que pode ser visto no National Theatre de Londres na obra Oedipus, disse que ama o teatro até quando sabe que pode fracassar.
O ator, indicado duas vezes ao Oscar, destacou que, em um palco, não se pode “manipular a percepção” do espectador, como faz um diretor no cinema, graças a recursos como a edição e a música.
“Sobre o palco, somos o que somos no momento, isso não pode ser mudado”, destacou Fiennes, que disse que a magia do teatro reside em que se pode “capturar o espírito do ator”.
No entanto, a “adrenalina” do cinema também lhe seduz, da mesma forma que sua eternidade, mas reconheceu que “reza” antes de ouvir a palavra “ação” para estar inspirado e interpretar com sucesso a cena.
Fiennes, que participou recentemente nos filmes A Duquesa, The reader, The Hurt Locker e Na Mira do Chefe, elogiou alguns de seus companheiros de profissão, como William Hurt, Juliette Binoche e Julianne Moore.
Lembrou ainda o “fantástico” diretor Anthony Minghella, morto este ano, com quem trabalhou em “O Paciente Inglês” e de quem disse que era uma pessoa “extremamente sensível” e “muito pouco corrente”