Chorando se foi/Quem um dia só me fez chorar/Chorando se foi/Quem um dia só me fez chorar/Chorando estará/Ao lembrar de um amor/Quem um dia não soube cuidar. Existirá algum brasileiro com 20 anos ou mais que não lembre desses versos? Pois a responsável por esse e outros sucessos da lambada continua na ativa e acaba de lançar um novo disco, o Fale o Que Quiser – volume 10.
Mineira de Belo Horizonte, Márcia Ferreira vive há três décadas em Brasília e foi a partir da capital que começou sua carreira. “Eu trabalhava na Rádio Nacional da Amazônia, que transmite aqui de Brasília para toda a Amazônia legal. Então, eu viajava muito para os estados do Norte e conheci ritmos locais, como a lambada, e comecei a fazer esse tipo de música”, relembra a artista.
A história do sucesso Chorando Se Foi começa em um show da cantora na Colômbia. “Eu estava me apresentando em uma cidadezinha da fronteira quando conheci a versão original da música. Achei maravilhosa e trouxe um disco para o Brasil. Então, eu e um dos meus músicos resolvemos fazer uma versão em português pra ela”, explica Márcia. A original pertence ao grupo boliviano Los Kjarkas e se chama LLorando se fué num ritmo local chamado saya. Márcia conta que “Nas regiões Norte e Nordeste a música já fez sucesso em 1986, quando eu gravei, mas o estouro nacional e internacional veio com a gravação do Kaoma”.
A banda franco-brasileira resolveu fazer também sua versão da música e a lambada tornou-se um fenômeno parecido com o do axé music dos anos 90. “A partir daí comecei a fazer shows em todo País, tocar nas rádios e aparecer em programas de TV”, conta Márcia.
Depois do sucesso de Chorando Se Foi, Márcia afirma que continuou gravando (está no décimo disco) e fazendo shows. “Mas o sucesso voltou a se concentrar no Norte e Nordeste”, pondera. “Só que desde 1995 que eu não lançava nada de novo. Nos shows os fãs me cobravam, pediam coisas novas. Aí resolvi fazer este CD de inéditas” completa a cantora.
Falando sobre o novo trabalho, Márcia explica que a lambada deixou uma lacuna na cena musical, mas que ela está sendo preenchida pelo zouk, “que não é um ritmo brasileiro, mas é muito parecido com a lambada. E o pessoal que gosta de lambada está abraçando o zouk. Já há inúmeros eventos que tocam apenas esse ritmo mesmo aqui em Brasília”. No Fale o Que Quiser, três das 12 faixas trazem esse novo ritmo (7, 8 e 9). Mas a lambada continua presente em músicas como a faixa número um, que tem o nome do disco. “Meu trabalho continua sendo centrado na lambada”, garante Márcia. “E nós demos uma repaginada nas lambadas, elas estão muito fortes e bem ritmadas”, completa.
O disco já está nas lojas e Márcia promete começar a fazer shows a partir de abril. “Até lá vou trabalhar na divulgação do disco”.
Serviço
Fale o Que Quiser – Volume 10 – Márcia Ferreira. Produção independente/2006. Preço médio: R$ 5.00