Você ouve rádio hoje?
Muito. Gosto muito. Para ouvir os noticiários e saber se estão tocando minhas músicas também. Prefiro o rádio. Na TV tem muito programa ruim.
E quais as cantoras que você gosta de ouvir?
Gosto muito da Marisa Monte. Tem uma voz linda. Gal, Bethânia… da Ivete Sangalo gosto também. Admiro o jeito dela, muito simpático. Sempre que ela se apresenta eu paro para ouvir. Daniela Mercury também.
Por que você não tem espaço nas gravadoras?
É o que me pergunto até hoje. Sei que o povo não me esquece. E tem gente como Silvio Santos, Faustão, que também têm muito carinho por mim. Que a hora que eu quiser tenho as portas abertas. Acho que foi desde que pedi a numeração dos discos que me colocaram na geladeira.
E como seus fãs reagem quando te encontram na rua?
Como grandes amigos.
Dos áureos tempos da Rádio Nacional, o que você sente mais falta?
O auditório me faz muita falta. Aquele calor humano que somente quem cantou na Rádio Nacional por muitos anos é que sabe a emoção que é. Sinto saudades daqueles aplausos. É uma alegria que não dá para definir.
E dos seus amores?
Tive um grande amor: o economista e piloto de corrida Arthur Souza Costa, com quem vivi quase 30 anos, 18 deles casada mesmo. Fiquei viúva e consegui compreender que igual a ele não encontraria ninguém. Claro que dei minha namoradinhas. Afinal de contas, não estou morta!
Você e o Arthur namoraram 12 anos antes de casar?
Na verdade, já vivíamos juntos antes de legalizar a situação. Primeiro experimentei e depois casei, né?
Mas deixou muito coração partido por aí também…
Foi sim. Na época em que o Orson Welles (cineasta americano) estava fazendo muito sucesso com o filme Cidadão Kane, em 1946, ele veio ao Brasil e ficou apaixonadérrimo por mim! Me chamava de Émile. Saíamos para jantar, passeávamos… foi muito bom. Pena que ficou só naquilo. Já estava namorando o Arthur e, por isso, não deu certo.
Namorou os dois ao mesmo tempo?
Era um namorico só. Mas foi muito bom.