Quem quiser conhecer um pouco mais sobre a vida pessoal e o legado artístico que Kurt Weill deixou para a música mundial deve garantir um lugar este fim de semana na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.
O espetáculo Quem tem Medo de Kurt Weill, dirigido por Fábio Pillar, conta a vida desse judeu alemão, considerado revolucionário por criar o gênero satírico-social de ópera. “No musical utilizamos recursos multimídia para desvendar ao público quem foi Kurt Weill, sua paixão por Lotte Lenya, seus parceiros e seus sucessos”, explica Cláudia Vigonne, 35 anos, atriz e uma das produtoras da peça, que levou quase dois anos para ficar pronta. “Tivemos de fazer uma longa pesquisa lá fora. Quase ninguém identificava Weill com suas músicas”.
O espetáculo é dividido em dois momentos da vida do compositor: o período político, quando Weill trabalhou com Bertolt Brecht e foi perseguido politicamente, e a fase americana – considerada mais romântica – quando virou figurinha fácil em Hollywood.
Autor da satírica Ascensão e Queda da Cidade de Mahagonny e da ópera Três Vinténs, em parceria com o teatrólogo Bertolt Brecht (que inspirou Chico Buarque a compor Ópera do Malandro), Weill tinha 32 anos quando fugiu de seu país natal, no início de 1933. De família judaica, dias antes de os nazistas tomarem o poder, o músico acabara de escrever as canções de uma peça de forte cunho político, Der Silbersee, de George Kaiser. A peça estreou em fevereiro. Foi a última obra que o compositor concluiu na Alemanha antes de ir para Paris.
O compositor, chamado de maldito por ter retratado o mundo underground europeu dos fins da década de 20, mudou completamente ao chegar aos Estados Unidos, em 1935. Passou a não falar mais em alemão. “Ele mudou até a pronúncia de seu nome”, revela Cláudia.
Suas obras tornam-se sucesso em Nova York, onde criou o off-Boadway – um espaço para shows mais intimistas, no estilo cabaré – tão celebrado quanto a própria Broadway.
Consagrado no teatro e em Hollywood, Weill compôs músicas antológicas em parceria com compositores do peso como Ira Gershwin (My Ship) e Ogden Nash (Speak Low) e Maxwell Anderson (September Song).
Em 1950, aos 50 anos, o compositor morreu vítima de uma trombose coronariana.
O elenco do espetáculo conta com Fábio Pillar (atualmente no elenco de Zorra Total, da Rede Globo); Márcia Cabral (a atriz representou Evita Perón, no musical Evita); Cláudia Vigonne (atriz de teatro, fez pequenos papéis em novelas da TV Globo) e Marcelo Mattos (encenou A Ópera do Malandro, em teatro).