Menu
Promoções

Quatro dias de chorinho

Arquivo Geral

14/12/2005 0h00

Falar que o chorinho, hoje, cobre boa parte da programação cultural de Brasília ficou ultrapassado. Não só há uma proliferação e renovação constante de conjuntos instrumentais, como a oferta por cursos específicos no gênero aumentou. A demanda é grande e o público corresponde. Ao menos, esta é a impressão de professores que atuam na tradicional Escola de Choro Raphael Rabello e na recém-criada Tupiniquim Musical, que atenderá os interessados por cursos específicos do gênero (estendendo para samba, bossa nova e MPB).

A prova de que há uma safra gorda de novos chorões na capital federal poderá ser tirada de hoje a sábado, no Clube do Choro, e domingo, no Teatro Nacional, onde os alunos da Escola Raphael Rabello se revezam no palco numa celebração do encerramento da programação deste ano da casa. “A gente bateu dois recordes. Um deles é o de maior quantidade de grupos que o clube colocou para tocar. São mais de 40. Daí você vê a demanda de gente interessada”, observa o professor de violão, bandolim e cavaquinho Evandro Barcellos, que é também um dos idealizadores da Tupiniquim Musical.

O músico não consegue identificar exatamente de onde surgiu este interesse crescente pelo choro, mas dá um palpite: “O pessoal cansou de música ruim. Daí surgiu essa curiosidade pela música antiga, sem divulgação alguma e pegou gente de 18 a 70 anos. Não é que todos queiram fazer chorinho, mas o mínimo que teremos será um bom ouvinte”.

Professor e experiente violonista, Paulo André Tavares acredita que o brasiliense sempre teve um ouvido sensível ao chorinho. “O brasileiro em Brasília está descobrindo a MPB em geral. O pessoal está buscando hoje, mais do que nunca, a coisa de raiz”, analisa. Segundo ele, não faltam bons exemplos. “O Hamilton (de Holanda) é um dos grandes orgulhos de Brasília. Antes dele, ainda tivemos músicos como Jorge Helder (baixista) e Lula Galvão (guitarrista). O jovem busca por uma especialização que a cidade já teve e agora está retornando”, diz.

nova safraOs shows no Clube do Choro oferecem ao público brasiliense uma amostra do que a nova – ou razoavelmente antiga – geração do chorinho tem feito em sala de aula. Serão 320 alunos, divididos em 43 grupos e encaixados nas noites de quarta, quinta, sexta e sábado, sempre a partir das 21h30. Segundo o coordenador-geral da escola, violonista Fernando César, a apresentação final do Clube do Choro contará com cinco grupos a mais do que no ano passado.

Alguns dos experientes pupilos do corpo docente da escola formam o conjunto Choro Malandro, que já toca profissionalmente na cidade e engrossa o elenco nesta noite de abertura. O cavaquinista do grupo, Pedro Henrique, acha que o mais importante desse recital de encerramento das atividades do clube é dar uma chance aos iniciantes. “Eles vão ter o primeiro contato com o público no palco. É muito diferente de tocar em barzinho”, afirma.

Não faltam novatos – não se deixe enganar pelo rótulo, são estreantes realmente bons de serviço. Entre os marinheiros de primeira viagem está a arquiteta Fabiana Simões, que se divide entre os ofícios de violonista e cantora no show de hoje. “É minha primeira vez no palco. Estou bastante nervosa”, admite. O violonista Túlio Zanon também faz sua estréia num palco. Aos 31 anos, ele completa o primeiro semestre na escola e dá seu testemunho: “Minha experiência vem de brincadeira em casa de amigos, sem embasamento teórico. Aqui, o nível é impressionante”, diz.

Para o professor Fernando César, muitos alunos se mostraram acanhados em participar dos shows, mas o trabalho do corpo docente da escola visa, inclusive, desenvolver um trabalho de preparação para o palco. “Quando tocam na minha frente, alguns já ficam nervosos. Quando pensam que já passaram por aqui Hermeto (Pascoal) e Paulo Moura, aí você imagina…”, arremata.

A apresentação dos alunos no Clube do Choro encerra o ano letivo da escola e também o Projeto Heitor Villa-Lobos e Seus Amigos do Choro, em tributo ao compositor e pianista brasileiro.

    Você também pode gostar

    Quatro dias de chorinho

    Arquivo Geral

    14/12/2005 0h00

    Falar que o chorinho, hoje, cobre boa parte da programação cultural de Brasília ficou ultrapassado. Não só há uma proliferação e renovação constante de conjuntos instrumentais, como a oferta por cursos específicos no gênero aumentou. A demanda é grande e o público corresponde. Ao menos, esta é a impressão de professores que atuam na tradicional Escola de Choro Raphael Rabello e na recém-criada Tupiniquim Musical, que atenderá os interessados por cursos específicos do gênero (estendendo para samba, bossa nova e MPB).

    A prova de que há uma safra gorda de novos chorões na capital federal poderá ser tirada de hoje a sábado, no Clube do Choro, e domingo, no Teatro Nacional, onde os alunos da Escola Raphael Rabello se revezam no palco numa celebração do encerramento da programação deste ano da casa. “A gente bateu dois recordes. Um deles é o de maior quantidade de grupos que o clube colocou para tocar. São mais de 40. Daí você vê a demanda de gente interessada”, observa o professor de violão, bandolim e cavaquinho Evandro Barcellos, que é também um dos idealizadores da Tupiniquim Musical.

    O músico não consegue identificar exatamente de onde surgiu este interesse crescente pelo choro, mas dá um palpite: “O pessoal cansou de música ruim. Daí surgiu essa curiosidade pela música antiga, sem divulgação alguma e pegou gente de 18 a 70 anos. Não é que todos queiram fazer chorinho, mas o mínimo que teremos será um bom ouvinte”.

    Professor e experiente violonista, Paulo André Tavares acredita que o brasiliense sempre teve um ouvido sensível ao chorinho. “O brasileiro em Brasília está descobrindo a MPB em geral. O pessoal está buscando hoje, mais do que nunca, a coisa de raiz”, analisa. Segundo ele, não faltam bons exemplos. “O Hamilton (de Holanda) é um dos grandes orgulhos de Brasília. Antes dele, ainda tivemos músicos como Jorge Helder (baixista) e Lula Galvão (guitarrista). O jovem busca por uma especialização que a cidade já teve e agora está retornando”, diz.

    nova safraOs shows no Clube do Choro oferecem ao público brasiliense uma amostra do que a nova – ou razoavelmente antiga – geração do chorinho tem feito em sala de aula. Serão 320 alunos, divididos em 43 grupos e encaixados nas noites de quarta, quinta, sexta e sábado, sempre a partir das 21h30. Segundo o coordenador-geral da escola, violonista Fernando César, a apresentação final do Clube do Choro contará com cinco grupos a mais do que no ano passado.

    Alguns dos experientes pupilos do corpo docente da escola formam o conjunto Choro Malandro, que já toca profissionalmente na cidade e engrossa o elenco nesta noite de abertura. O cavaquinista do grupo, Pedro Henrique, acha que o mais importante desse recital de encerramento das atividades do clube é dar uma chance aos iniciantes. “Eles vão ter o primeiro contato com o público no palco. É muito diferente de tocar em barzinho”, afirma.

    Não faltam novatos – não se deixe enganar pelo rótulo, são estreantes realmente bons de serviço. Entre os marinheiros de primeira viagem está a arquiteta Fabiana Simões, que se divide entre os ofícios de violonista e cantora no show de hoje. “É minha primeira vez no palco. Estou bastante nervosa”, admite. O violonista Túlio Zanon também faz sua estréia num palco. Aos 31 anos, ele completa o primeiro semestre na escola e dá seu testemunho: “Minha experiência vem de brincadeira em casa de amigos, sem embasamento teórico. Aqui, o nível é impressionante”, diz.

    Para o professor Fernando César, muitos alunos se mostraram acanhados em participar dos shows, mas o trabalho do corpo docente da escola visa, inclusive, desenvolver um trabalho de preparação para o palco. “Quando tocam na minha frente, alguns já ficam nervosos. Quando pensam que já passaram por aqui Hermeto (Pascoal) e Paulo Moura, aí você imagina…”, arremata.

    A apresentação dos alunos no Clube do Choro encerra o ano letivo da escola e também o Projeto Heitor Villa-Lobos e Seus Amigos do Choro, em tributo ao compositor e pianista brasileiro.

      Você também pode gostar

      Assine nossa newsletter e
      mantenha-se bem informado