Desde antes de sua estréia nos Estados Unidos, no dia 25 de fevereiro, o filme A Paixão de Cristo, dirigido por Mel Gibson, causa polêmica entre grupos religiosos. Ontem, o criticado filme chegou às telas brasileiras. Em Brasília, a primeira sessão emocionou e agradou a platéia que estava no início da tarde no Cinemark do Pier 21.
No começo, as pessoas estavam descontraídas, conversando, prontas para assistir a um filme de qualquer gênero. Os espectadores eram jovens, adultos e idosos. Estudantes, aposentados, padres, profissionais autônomos, funcionários públicos, católicos, evangélicos, protestantes, adventistas, batistas estavam entre os pagantes da primeira sessão pública em Brasília.
Mas eles não sabiam a emoção que em poucos instantes os aguardavam. Logo nas primeiras cenas, o filme de Mel Gibson enche os olhos dos brasilienses, mesmo com atores pouco conhecidos do público. Entre os mais famosos estão Mônica Bellucci (Lágrimas do Sol), no papel de Maria Madalena, e James Caviezel (O Conde de Monte Cristo), como Jesus.
No cinema, ouvia-se constantes murmúrios: “Nossa”, “ai”, “coitado”… Foi assim que a platéia reagiu diante das cenas do sofrimento quando o Cristo foi preso e açoitado. Muitos tinham no olhar uma angústia e tapavam os rostos com as mãos. Outros choravam com Maria ao ver Jesus torturado.
Apesar de toda a polêmica, a produção é fiel aos princípios bíblicos. “Dentre os filmes que já vi sobre o assunto, é o mais íntegro no que diz respeito aos evangelhos. O diretor pesquisou bastante e tornou a obra rica de detalhes. Me emocionei e chorei ao ver a postura de um verdadeiro Salvador”, comenta Dorival Santiago, de 28 anos, estudante e evangélico.
Os olhares dos espectadores pareciam simular uma viagem no tempo para acompanhar, ao vivo, o que se passava na tela. Quando a coroa de espinhos foi colocada em Jesus, os espectadores levaram as mãos à cabeça como se compartilhassem o sofrimento de Cristo. Observavam com atenção e pena. Para alguns, foram necessários lenços para enxugar as lágrimas.
Quando Jesus percorria a via-crúcis, algumas senhoras pareciam rezar, olhavam para baixo e emocionavam-se. Uma personagem judia no filme exclamava: “Alguém faça isso parar!” O público gritava junto e muitas vezes fechava os olhos. O filme causa incômodos.
Um dos momentos de maior emoção e inquietação da platéia foi quando Jesus foi crucificado. O realismo agradou a quem acompanhava a dor do messias. “O filme é ótimo. Um destaque é a fidelidade ao idioma aramaico. Saí do cinema com um sentimento de culpa. Conseguiu me sensibilizar”, disse o historiador católico Marcelo Demateu, de 29 anos. De acordo com ele, o único erro da produção está no prego atravessando a palma da mão de Jesus. Na verdade ele foi pregado na cruz pelo pulso.
A sessão deixou lições para a vida. “O que aprendi com o filme é que a história de Jesus, embora retratada com muita violência, tem uma mensagem positiva”, afirmou a servidora pública Marta Maria Costa, 42 anos.