Estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo-Unifesp traz uma informação importante na área do câncer de próstrata: as chances de cura são maiores se os níveis de PSA (proteína produzida pela próstata e cuja presença aumenta nos casos de tumores malignos) do paciente operado estiverem abaixo de 4 ng/ml.
A Unifesp fez a pesquisa com 440 doentes que se submeteram à retirada da glândula em razão de um câncer. Os pacientes tinham idade média de 62,5 anos. Após cinco anos da cirurgia (prostatectomia), 86% dos homens que tinham apresentado PSA de até 4 ng/ml quando do diagnóstico do câncer (43 do total de avaliados) não apresentaram recidiva da doença. Entre os que tinham níveis de 4 a 10 ng/ml (234) o índice de cura foi de 62%, e entre os níveis de 10 a 20 ng/ml (123), de 38%.
Segundo Miguel Srougi, professor titular da Unifesp e coordenador da pesquisa, o trabalho reforça as evidências de que a chance de câncer em homens com PSA abaixo de 4 é “bem real” e que, nessas condições, as chances de cura da doença também são maiores.
“O momento ideal de diagnóstico é com o PSA entre 0 e 4 [ng/ ml], quando os pacientes podem se beneficiar mais com a cirurgia. Mas hoje esses homens recebem os cumprimentos dos médicos por estarem supostamente livres da doença”, afirma Srougi.
Valores de PSA até 4 ng/ml são tidos como dentro da faixa de normalidade pelo conceito clássico do diagnóstico do câncer da próstata. Por isso, os homens que apresentam exames com esse resultado – 79% do público masculino acima de 50 anos – são considerados de baixo risco para doença (7% de chances) e dificilmente fazem biopsia da glândula, a menos que sejam constatadas alterações significativas no exame de toque.
Mas há estudos indicando a necessidade de um olhar mais atento a esse grupo. Um deles, publicado em maio último no New England Journal of Medicine, mostrou que 23% dos homens com PSA abaixo de 4 ng/ml já apresentavam a doença.
Srougi tem indicado a biopsia para pacientes que apresentem PSA acima de 2 ng/ml, especialmente os mais jovens (abaixo de 60 anos) e os que têm casos de câncer da próstata na família. “É mais seguro”, diz.
A análise do tamanho da próstata, a velocidade com que o nível de PSA sobe ao longo dos anos e o exame da fração livre da proteína são indicadores que podem auxiliar o médico a decidir por pedir ou não uma biopsia da glândula quando o PSA estiver abaixo de 4 ng/ml, segundo o urologista.
Segundo o médico, mesmo depois de extirpada a próstata, é importante continuar o monitoramento com o PSA porque, se houver células cancerígenas da glândula migradas para outros órgãos, o exame apontará a alteração. Nessa situações de recidiva, os pacientes são tratados com terapias hormonais e radioterapia.