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Projeto traz a Brasília três óperas inéditas na América Latina

Arquivo Geral

18/10/2007 0h00

Na opinião do diretor André Heller-Lopes, “uma ópera deve ser boa, divertir e emocionar”. Simples assim. E é com essa convicção que ele traz a Brasília o espetáculo 3 Óperas em 1 Ato, que, como o nome faz supor, reúne  três óperas:  Savitri, de Gustav Holst; Uma Educação Incompleta, de Emmanuel Chabrier; e O Diário do Desaparecido, de Leoš Janácek. Todas as peças são inéditas na América Latina.

Cada  ópera tem duração aproximada de 30 minutos, e, respeitando a versão originalmente concebida pelos respectivos compositores, haverá acompanhamento de piano. A solista convidada é a pianista Linda Bustani.

Um dos destaques do elenco é o barítono brasiliense Leonardo Neiva, já conhecido no Brasil e no exterior. Também compõem o espetáculo a soprano Flavia Fernandes (artista do Theatro Municipal do RJ), a mezzo-soprano Carolina Faria  e o tenor Marcos Paulo, um dos vencedores do Luciano Pavarotti International Vocal Competition na Filadélfia, EUA.

A concepção de André Heller-Lopes de unir em um único ato as três óperas deriva da dupla necessidade de apresentar ao público brasileiro composições mais recentes – do início do século XX – e da possibilidade de passear por uma grande diversidade artística em um  curto programa. “Ninguém consegue se chatear. Em trinta minutos, cada ópera já acabou”, pondera. “É como ler um livro de contos”.

A proposta nasceu em 2003, quando Heller-Lopes  trabalhava para The Royal Opera House, em Londres. Lá, ele apresentou sua montagem para O Diário do Desaparecido. Escrita pelo tcheco  Leoš Janácek no início do século XX, a ópera compartilha com o público o sofrimento de  jovem apaixonado por uma cigana.

A obra apresenta traços autobiográficos, estabelecendo relação direta com a paixão do compositor, então com 63 anos, por uma mulher casada. Atualmente, as composições de Janácek experimentam períodos de grande apreciação na Europa. “Ele é considerado o novo Puccini”, conta o diretor, em referência ao compositor de óperas italiano Giacomo Puccini, autor de La Bohème e Madame Butterfly.

De acordo com Heller-Lopes, o gosto da  Europa pelas  obras do tcheco ocorre em decorrência do fim da União Soviética e pela inserção da República Tcheca à União Européia. “Tcheco é uma língua linda e muito sonora de ser cantada”, destaca. As óperas de Janácek têm melodias lindíssimas e de grande emoção”.

Amor
“Resolvi contar o tema amor a partir de visões diferentes”, explica. Daí a escolha de Savitri e de Uma Educação Incompleta.  “Todas falam da descoberta do amor, de uma coisa diferente”. A primeira, composta em 1909 pelo inglês Gustav Holst, aborda o drama da  princesa Savitri, vencendo a morte que rondava seu marido.

Em uma linha diferente, o francês Emmanuel Chabrier escreveu, em 1897, a comédia Uma Educação Incompleta, sobre o dilema de jovens recém-casados que se desesperam ao perceber que não sabem o que fazer na primeira noite.

Para o diretor, a ópera está retornando seu posto no interesse do público. “Essa nossa raiz latina gosta da urgência que a ópera evoca”, atenta. Começa a ressurgir  grandes cantores nacionais”, completa.

3 Óperas em 1 Ato – Concepção e direção cênica: André Heller-Lopes. De quinta a sábado, às 21h; domingo, às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul, trecho 2). Até dia 28. Ingressos a R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia, para estudantes e idosos). Informações: 3310-7087.

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