No Brasil, violão é um dos símbolos da cultura popular. O que geralmente se desconhece são suas origens e os diferentes estilos de execução, que fazem desta caixa acústica de seis (ou mais) cordas símbolo de tantos ritmos: bossa nova, tango ou flamenco. Na Espanha, o instrumento atende por outro nome: guitarra acústica. E é em homenagem ao que se conhece no Brasil como violão espanhol que o Instituto Cervantes está lançando o projeto Guitarríssimo, série de concertos com renomados artistas internacionais que ganha o palco do Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a partir desta quarta-feira.
O primeiro estilo a ser apresentado em Guitarríssimo é o do violão clássico, representado pelo músico espanhol Miguel Trápaga, às 21h, com entrada franca. No show, Trápaga rende homenagem a Andrés Segovia (1893 – 1987), mestre conterrâneo responsável pelo enobrecimento do violão, quando o instrumento ainda era mal quisto no mundo da música erudita e estava limitado ao campo da música popular, confinado em tavernas.
O repertório faz uma viagem pela música do século XIX e começo do século XX. São peças de Segovias e outras compostas por músicos relacionados ao violonista, como amigos, professores e alunos.
Trápaga, que vem ao Brasil pela primeira vez especialmente para o projeto, se sente como um herdeiro de Andrés Segovias. “Ele foi um gênio do violão. Meus professores aprenderam com ele e eu tive o prazer de receber, de alguma forma, esse ensinamento”, diz o intérprete, que já teve aulas com José Tomás, Miguel Ángel Girollet, Manuel Estévez, José Luis Rodrigo, David Russell, Leo Brouwer e Gerardo Arriaga.
Trápaga participou de dois CDs de Federico Moreno Torroba e de um outro com obras de Brouwer. Participou do Quarteto de Cordas de Moscou e apresentou-se com a cantora lírica Lola Casariego e o violonista flamenco Oscar Herrero. Como solista, destacou-se nas orquestras sinfônicas de Sevilha, Madri e Nacional da Ucrânia. Atualmente ministra cursos de aperfeiçoamento na Espanha e em outros países.
O violão tem influência árabe, mas a sua configuração moderna foi concebida na Espanha. O instrumento de cordas mais popular do mundo marca presença hoje em quase todos os estilos musicais populares e sua abrangência só se compara à do piano. Ao longo do tempo, o violão sofreu grandes evoluções e, hoje em dia, possui uma grande variedade de formatos e tamanhos, cada qual mais apropriado a um estilo de execução.
Durante a série Guitarríssimo será possível entender os caminhos que foram trilhados para que o violão chegasse à forma hoje conhecida e observar o desenvolvimento da família dos instrumentos de corda, como guitarras do renascimento, barrocas, românticas, clássicas e flamencas. E, por extensão, será possível conhecer ainda as diversas formas dos alaúdes desenvolvidos na Europa dos séculos XVI a XVIII.
Guitarríssimo – Show com o violonista Miguel Trápaga, nesta quarta-feira, às 21h, no CCBB. Entrada franca.