O nome pode até enganar, mas Lost Zweig é uma produção brasileiríssima. Dirigido por Sylvio Back, o filme foi vencedor de três categorias no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2003: melhor atriz (Ruth Rieser), melhor roteiro (SylvioBack e Nicholas O’Neill) e melhor direção de arte (Bárbara Quadro). O longa estréia nesta sexta nos cinemas.
Lost Zweig conta a história dos últimos dias de vida do escritor judeu austríaco Stefan Zweig, autor do famoso livro Brasil – País do Futuro. Ele e sua jovem esposa , Lotte, decidem se matar de forma misteriosa, após passarem um carnaval nas cidades de Petrópolis e Rio de Janeiro, no ano de 1942.
Esse episódio é uma grande lacuna na biografia de Zweig, já que tudo que foi feito a respeito de sua vida se concentra na época em que ele viveu Europa até o seu exílio durante o governo de Hittler.
A originalidade de Lost Zweig está, exatamente, no resgate ficcional da “vida brasileira” de Stefan Zweig: a tensão entre as recordações da “dourada era da segurança” européia pré-Hitler e a nostálgica ilusão de reencontrá-la no Brasil.
Zweig, no entanto, sofre com o exílio, é hostilizado pela publicação de Brasil – País do Futuro. Outros momentos importantes foram o inusitado encontro dele com o Orson Welles filmando o seu inconcluso documentário It’s All True, e as perigosas relações do escritor com a ditadura Vargas tentando obter vistos de permanência no Brasil para judeus que fogem, como ele, da perseguição na¬zista na Europa.
Tudo isso permeado por um tortuoso conflito entre a ex-mulher Friderike e a atual, Lotte, enquanto ele vai se deixando le¬var pela idéia da morte como o supremo sacrifício de um humanista ante a decadência moral do mundo.