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Povo renascido das cinzas em <i>500 Almas</i>

Arquivo Geral

29/06/2007 0h00

Quando ainda era um adolescente, em Dourados (MS), Joel Pizzini ficou impressionado com os rumores que circulavam na região sobre o ressurgimento dos guató, nação indígena que era dada como extinta até por antropólogos da envergadura de Darcy Ribeiro. “Aquilo me soou como algo mítico: um povo renascido das cinzas’, diz Pizzini, que hoje, aos 46 anos, lança finalmente seu longa-metragem sobre a saga guató, o documentário poético (na falta de definição melhor) 500 Almas, que estréia hoje nos cinemas.

As filmagens começaram em 1998, mas foram interrompidas devido à dificuldades financeiras para filmar cenas aéreas essenciais ao filme.

Às partes filmadas nos locais habitados pelos guató (as margens do Rio Paraguai e seus afluentes, bem como as periferias de cidades como Corumbá e Cáceres) e em Berlim, somaram-se duas seqüências encenadas com os atores Paulo José e Matheus Nachtergaele (em papéis de época) e rodadas no Rio de Janeiro.

Uma das opções ousadas do diretor foi abrir mão do discurso narrativo/explicativo. As informações são dadas de modo fragmentado e, muitas vezes, indireto. É desse modo lacunar que ficamos sabendo, por exemplo, que a tribo guató escolheu um cacique – cargo que não faz parte da sua tradição – para realizar a interlocução com a Funai e com as outras nações indígenas. Mais que isso: descobrimos que o atual cacique se tornou evangélico. “Quis deixar expostas as contradições e paradoxos de uma cultura em transformação”, diz o dirertor.

O mesmo respeito radical aos guató levou a uma decisão ainda mais controversa: a de não colocar legendas, nem na fala dos guató, nem na de estrangeiros. “Eu não quis estabelecer uma relação de autoridade, em que os índios são meros objetos do discurso dos brancos. Quis fazer o filme dos guató”, diz Pizzini.

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