Vários cineastas presentes no Festival de Cinema de Cannes dizem que, hoje, a pornografia na Internet é o único elemento a moldar a percepção que muitos jovens têm do sexo. Em muitos casos, ela toma o lugar dos relacionamentos físicos reais.
"Existem jovens que vêem pornografia desde pequenos, antes mesmo de poderem fazer sexo", comentou Larry Clark, um dos diretores do excêntrico Destricted, uma compilação de histórias explícitas que giram em torno do sexo. Em seu curta-metragem Clark entrevista rapazes, perguntando sobre suas preferências sexuais, e deixa um candidato aparecer ao lado de sua atriz pornô favorita.
"Quando eu era menino, ninguém me falava nada. Hoje as pessoas podem encontrar o que quiserem na Internet. Os jovens olham a pornografia e pensam que é assim que se faz sexo", disse Clark, observando que seu filme é educativo.
O diretor John Cameron Mitchell, que levou o filme Shortbus a Cannes, concorda que, cada vez mais, os jovens vêm usando a Internet para substituir o sexo real. Em seu filme, ele reuniu um elenco de atores não profissionais que faz sexo e masturbação em cenas explícitas na tela, numa tentativa de desmistificar o assunto.
Mitchell não considera seu filme pornográfico. E a maioria dos jornalistas que o assistiufilme concordou que Mitchell conseguiu retirar boa parte do erotismo do sexo. O diretor disse que os EUA têm uma visão puritana do sexo, o que faz do tema um assunto complicado na cabeça dos jovens. Em uma cena especialmente provocante de seu filme, três rapazes gays fazem sexo enquanto cantam o hino nacional dos EUA.