Drauzio Varella não esconde seu interesse pela televisão. Ele confessa que ainda pretende continuar seu trabalho com séries educativas e escrever outros livros. No entanto, seu maior prazer é examinar os doentes. “Sou um privilegiado, ganho a vida trabalhando com o que realmente gosto”, orgulha-se.
Entretanto, nem tudo são flores. Drauzio acusa o sistema de saúde pública de falta de organização. “Gasta-se muitos recursos com tratamentos simples. Já vi clínicas sofisticadas atendendo casos de amigdalite. Isso é caso para posto de saúde”, acredita. Para ele, o maior problema do País é a falta de planejamento familiar nas classes mais pobres. “Planejamento no Brasil é coisa de rico”, revolta-se. Problema que seria resolvido com medidas simples como aconselhamentos e acesso gratuito a métodos anticoncepcionais. “Com esse nascimento fora de controle sempre faltará vaga em escolas e hospitais públicos”, observa.
Assunto polêmico, Drauzio defende a utilização de células-tronco para fins terapêuticos. “Isso pode representar talvez a única esperança no tratamento de inúmeras doenças degenerativas, como doenças neuromusculares, infartos, derrames cerebrais e Alzheimer. “A célula-tronco vai representar para o século 21 o mesmo avanço que os antibióticos representaram no século 20”, aposta o médico. Ele lamenta a discussão religiosa “estéril”. “Esta é uma discussão religiosa fascista. Respeito quem se nega a receber um tratamento, mas não quem impede os outros de ter acesso à tecnologia”, reclama.
Sobre a homeopatia, Drauzio tem dúvidas. “São princípios que não entendo. São incompreensíveis em termos químicos ou físicos. Se nem os resultados são publicados em revistas de primeira linha, fica difícil analisar”, questiona.