Mas eles não precisam de tantos detalhes para fazer as piadas, elaboradas na reunião de pauta, às quartas-feiras. No estúdio – as cenas são gravadas na segunda e na própria terça-feira – basta Hélio entrar como Gostosínia Vlasak que a gargalhada é geral. O clima continua nos ensaios, até que todos se concentram para gravar. Apesar do humor afiado e de não deixarem passar nada sem ironia, os cassetas são bem sérios em cena.
Homossexualismo, traição, alcoolismo, o que não falta é assunto. “As novelas do Manoel Carlos têm assuntos bem polêmicos e isso para gente é um prato cheio”, conta Beto, que acha que as tragédias ajudam na hora de fazer comédia.
“Quando a cena já tem piada dificulta, porque a gente precisa ir além do que já está acontecendo no texto”. Para Hubert, o trunfo é o número de personagens. “São muitas histórias, cada vez é um personagem, um drama e a gente pode até escolher”.
Eles recebem até pedido de paródia. “As pessoas gostam. Vejo isso pela audiência do programa (35 pontos no Ibope), do quadro e pelo prazer que a gente tem. Os atores pedem para gente fazer”, orgulha-se Marcelo Madureira. “Eles entendem que nada é pessoal e que a gente não quer depreciar ninguém. É uma forma de homenageá-los e o nosso espaço é o humor. Se as pessoas não rirem das nossas homenagens, não funcionou”, teoriza Hélio.
Ele conta que Natália do Vale, a Sílvia da novela, era uma que queria ser homenageada – e assim nasceu Natália do Vale Transporte. Mas Beto lembra que nem sempre foi assim. “A gente não fez paródia de Esperança porque Benedito Ruy Barbosa (autor) não queria, não entendia o nosso humor. O Maneco entende e é bom para a gente e para a novela”. Para o público também.