Muito se esperou pelo dia de hoje, em que uma das mais importantes iniciativas em prol da difusão da música brasileira ganha novo fôlego. O Projeto Pixinguinha – menina dos olhos da Fundação Nacional de Arte (Funarte) desde sua criação, em 1977, e, dali, por 20 anos consecutivos – chega, hoje, a Brasília revigorado e com algumas diferenças à causa abraçada nos anos 80.
Quem puxa o primeiro barco até a capital federal é Zé Renato. O cantor capixaba, ex-Boca Livre, era um dos nomes cotados para se apresentar pelo projeto em 1997, quando a caravana do Pixinguinha foi abortada. Renato amargou durante sete anos o fim do projeto e, em compensação, inaugura a retomada do projeto em Brasília. Ao lado de três artistas de pouca visibilidade, Zé Renato concretiza o Pixinguinha revigorado, às 21h, no Teatro Funarte Plínio Marcos.
“Acho que o projeto tem o mérito de colocar na estrada artistas que não aparecem muito na TV, nem são tocados no rádio. E ainda aproxima a música brasileira de um público que carente desse tipo de atividade”, avalia Zé Renato que, pela primeira vez, poderá se apresentar em cidades como Boa Vista (AC) e Sobral (CE). O músico divide o espaço no palco candango com os veteranos violonistas Mário Adnet e Nonato Luiz e uma das representantes da vanguarda paulistana de Itamar Assumpção, Virgínia Rosa.
Cada um fará um show à parte, com cinco músicas. Zé Renato, o mais famoso desse elenco, montou um repertório que faz pequena retrospectiva de sua carreira. “Vou misturar coisas que fiz com o Boca Livre, como Toada (da trilha original da primeira versão da novela Cabocla) e Ânima e ainda faço homenagem ao nome que inspira o projeto com a música Rosa (Pixinguinha)”, antecipa. As outras duas canções deverão sair do baú de Orlando Silva e Noel Rosa, sambistas que descrevem o interesse atual de Zé Renato. “O samba faz parte da minha formação. É fruto das coisas que ouvi quando criança”, acrescenta.
Criado em 1977, o Projeto Pixinguinha foi um dos mais importantes programas da música popular brasileira. Por meio dele, artistas então pouco conhecidos – como Zizi Possi, Leila Pinheiro e Djavan – foram apresentados ao grande público ao lado de nomes consagrados como Elizeth Cardoso, Martinho da Vila, Nara Leão e Paulinho da Viola, entre outros, em shows memoráveis.
A reedição do projeto, contudo, não segue a mesma linha percorrida nos anos 80, de revelar novos artistas. O Pixinguinha 2004 se contém em propagar a música de veteranos que estão distante da mídia. Tanto é que alguns nomes cotados para excursionar pelo País são Billy Blanco, Dona Ivone Lara, Jane Duboc, Jards Macalé, Miltinho e Sebastião Tapajós, artistas com, no mínimo, 20 anos de carreira.
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Projeto Pixinguinha – Show de Zé Renato, Mário Adnet, Nonato Luiz e Virgínia Rosa. Hoje, às 21h, no Teatro Funarte Plínio Marcos (Setor de Difusão Cultural, Eixo Monumental). Ingressos a R$ 5.