A identificação da variante local do hantavírus e o desenvolvimento do antígeno são resultados de uma pesquisa que vem sendo feita desde 1998, quando os primeiros casos de SPCH foram observados na região de Ribeirão Preto. “Como era uma doença nova, os médicos tinham muita dificuldade em diagnosticá-la a tempo. Então resolvemos estudar suas características clínicas, a fim de estabelecer formas mais eficientes de identificação”, lembra Figueiredo.
Em algum tempo, a equipe do professor já tinha desenvolvido um fluxograma para ajudar no diagnóstico. “Um paciente jovem ou adulto, antes saudável e que começa a ter febre e falta de ar. Imediatamente o médico pede um raio-x de tórax. Quando os dois pulmões estão comprometidos com pneumonia, ele deve pedir um hemograma”, explica o professor.
Se o hemograma apontar redução de plaquetas e concentração de hemácias, o paciente é diagnosticado clinicamente como SPCH e deve ser encaminhado imediatamente para hospital com recursos de terapia intensiva.
Figueiredo conta que também foi necessário fazer um trabalho alertando os profissionais da terapia intensiva na região. “Ao contrário de outras doenças em que o paciente em choque pode ser hidratado com grandes quantidades de líquido para se recuperar, na SPCH isso pode ser fatal”. Isso porque, nesta doença, o líquido do sangue vai para o pulmão, extravasando dos capilares para os interstícios e alvéolos, o que causa insuficiência respiratória.
Se o paciente receber líquidos em grande volume, o pulmão vai se encher ainda mais, agravando a insuficiência respiratória e levando à morte. “Quando o paciente com SPCH entra em insuficiência respiratória, também surge o choque, a pressão arterial vai a zero e o coração começa a bater mais fraco. Então, orientamos para que ele receba drogas que ajudam o coração a bater com mais força”, explica o professor.