Depois de estudar a fundo as neuroses e a psicose, chegou a vez de a psicanálise se debruçar sobre a perversão. Este tema, ainda pouco debatido, mas profundamente atual, está sendo debatido em Belo Horizonte até sábado por alguns dos mais renomados psicanalistas do Brasil e do exterior.
O XIII Fórum Internacional de Psicanálise – As Múltiplas Faces da Perversão está discutindo o assunto não somente do ponto de vista da sexualidade. O congresso, que teve sua última edição realizada em Oslo (Noruega), em 2002, reúne alguns dos maiores nomes da psicanálise mundial, como por exemplo a francesa Elisabeth Roudinesco, autora de diversos livros.
A perversão está sendo abordada sob os mais variados ângulos, da sexualidade à política, das leis ao consumismo, da informática ao tráfico de drogas, da mídia às relações familiares. “A negação da lei é a melhor forma pela qual a perversão se estrutura na sociedade. O sujeito sabe que a lei existe, mas nega, muitas vezes criando a sua própria lei, ignorando uma lei mais geral”, explica o psicanalista José Sebastião Menezes Fernandes, integrante da Comissão Organizadora do fórum.
O perverso, continua José Sebastião, usa as pessoas como objetos e só se importa com a sua própria satisfação. Exemplos de atitudes perversas não faltam, destaca o psicanalista, e vão desde “uma guerra feita em cima de uma mentira”, caso da invasão do Iraque por tropas americanas e inglesas sob a alegação de que o país teria armas químicas, fato que não se comprovou, até as filas duplas que se formam nas imediações das escolas.
Sobre o exemplo da fila, José Sebastião avalia: “O que a criança vai aprender, qual a mensagem que os pais, geralmente pessoas de classe média alta, estão passando para ela? Olha, existe a lei, não pode parar em fila dupla, mas – olhe a negação da lei – aqui nós podemos parar”.