A série de shows do projeto Identidade Brasileira termina com a temporada de apresentações do produtor, compositor e cantor Max de Castro a partir de hoje, no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Filho do precursor da pilantragem nos anos 60, Wilson Simonal, Max traz em sua bagagem musical a estética do samba-rock de Jorge Benjor, o suingue de seu pai e uma batida contemporânea repleta de samplers e recursos da música eletrônica.
Com uma carreira recente de cinco anos (contados desde a gravação de seu primeiro álbum), Max expressou o desejo de realizar um show na capital federal em entrevista ao Jornal de Brasília. “Brasília é uma dessas cidades onde eu sempre quis tocar, mas nunca era possível”, ressaltou o músico. O compositor veio à capital uma única vez. Na ocasião, em 2001, lançou o disco de estréia Samba Raro, num pocket-show gratuito na praça de alimentação do Conjunto Nacional, que se limitou a covers de Jorge Benjor, costurados por duas ou três composições do CD.
No CCBB, Max fará quatro dias de performance do jeito que ele queria. “Esse, sim, será o primeiro show de verdade, com banda e com mais tempo”, conta. A cantora Patrícia Marx (que começou sua carreira no conjunto infantil Trem da Alegria), faz participação especial no show de Max com repertório renovado, voltado para a soul music. Patrícia dividirá os vocais com Max de Castro em canção ainda a ser definida.
liberdadeO compositor traz a Brasília o repertório de seu terceiro e mais recente álbum, Max de Castro. Nele, o músico diz ter conseguido lapidar melhor sua própria identidade musical. “Os primeiros discos não descartam minha personalidade. Só vejo como resultado de um processo que me dá uma sensação de liberdade, segurança e que aumenta a possibilidade de novos caminhos”. Esses rumos que Max aponta em sua trajetória dão abertura, no novo show, a momentos instrumentais (Pixinguinha Superstar), pop eletrônico (Sempre aos Domingos), música regional sampleada (Ciranda ao Redor da Galáxia) e samba-rock (Iluminismo).
A união de ritmos diversos e tendências musicais desde os anos 60 até os dias de hoje nasceu naturalmente na alma do músico. “A eletrônica, especialmente, é como o samba ou o rock. Minha geração cresceu dialogando com a tecnologia”. Patrícia Marx endossa a análise do parceiro de gravadora (ambos são da Trama). “Acompanhei esse crescimento da música eletrônica desde os anos 90. Não tinha como não me envolver”, diz a cantora.
camaleoaCom nove álbuns gravados em 18 anos de carreira solo, pode-se dizer que Patrícia é uma nova voz da MPB. Recém-chegada ao Brasil após temporada de um ano morando em Londres e com agenda de shows a cumprir por toda a Europa, Patrícia acredita que, desde o fim do Trem da Alegria, ela tem sido um camaleão, tanto em questões referentes à carreira quanto ao seu visual. “Mudo de estilo de cabelo a cada show”, assinala. Com novo disco nas prateleiras, a cantora faz apenas uma participação especial no show de Max, sem previsão de voltar a Brasília para apresentar seu CD.
O Identidade Brasileira chega próximo ao seu fim contabilizando sucesso. Já foram realizados, até agora, quatro shows por semana durante três semanas, todos com lotação esgotada no teatro do CCBB, com assentos para 359 espectadores (e adição de cadeiras extras). A média de público ficou por volta dos 4,3 mil espectadores nos shows da cantora Paula Lima, da dupla de compositores baianos Davi Moraes e Lucas Santanna e da cantora e compositora Vanessa da Mata.