Interesseira, preconceituosa, mentirosa e inescrupulosa são adjetivos que definiam o caráter da vilã Bárbara (Giovanna Antonelli), em Da Cor do Pecado (Globo). A partir de hoje, porém, Bárbara também poderá ser chamada de louca. Além de propor casamento a Paco (Reynaldo Gianecchini), ela invadirá a casa de Preta (Taís Araújo), colocará fogo nas fotos dos dois e os ameaçará com uma arma. Amanhã, será levada para uma clínica a mando de Afonso (Lima Duarte).
“Ela começa a dar sinais de descontrole depois de ser humilhada por Afonso”, diz Guilherme Weber, que vive o comparsa da moça, Tony. Ele se refere às cenas que estão previstas para ir ao ar hoje, quando o empresário acusa Bárbara de ter matado o seu filho e diz que ela nunca terá nada do que é dele. Depois de ser jogada na rua com uma mão na frente e a outra atrás, ela perambulará sem rumo.
Bárbara não é a primeira malvada da ficção a enlouquecer. “É um expediente muito comum nas novelas do mercado latino-americano”, diz Mauro Alencar, doutorando em Teledramaturgia pela USP. Ele cita, como exemplo, Leôncio, o senhor de engenho da novela global Escrava Isaura (1976), baseada no romance homônimo de Bernardo Guimarães (1825-1884). “É o maior vilão da literatura brasileira. Ele vai enlouquecendo aos poucos e tem um grande final”, diz Alencar. Segundo Frederico Navas Demetrio, psiquiatra do Instituto de Psicologia do Hospital das Clínicas (SP), a atribuição da loucura a um criminoso pode justificar o crime e diminuir a sua culpa. “É comum na ficção”.
Vale dizer que Bárbara pode estar fingindo a loucura. “´Essa dúvida deve ser mantida até o fim”, arrisca Weber.