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Personagem canta "Quero ser como Osama" em musical que promete polêmica

Arquivo Geral

01/08/2007 0h00

Mulheres que vestem burkas rosas e que, armadas com uma metralhadora, rodeiam um terrorista que canta “Quero ser como Osama”. Toda esta loucura cômica é o ponto alto do espetáculo Jihad: o musical, que estréia hoje em Edimburgo.

Até o dia 26 de agosto e dentro do festival alternativo Edimburgo Fringe, a capital escocesa acolherá um musical que, segundo seus responsáveis, é uma “amalucada cavalgada pelo absurdo mundo do terrorismo internacional” e que tem todos os ingredientes para ferir sensibilidades no Oriente e no Ocidente.

E não é para menos, principalmente se levarmos em conta que seu protagonista – um camponês afegão com sobrenome explosivo -, Sayid al-Boom, tem que decidir entre continuar no lado “bom” ou passar para o lado “negro”, junto a terroristas que tentam atraí-lo para uma organização.

“Quero ser como Osama. Quero abrir caminho para a fama com uma bomba. Sei que as pessoas podem me detestar, mas, oh, Deus!, não me ignorarão quando a CIA me colocar um preço”, canta um dos terroristas tentando iludir Sayid no principal número do espetáculo.

A letra não é a única que chama a atenção no espetáculo, uma vez que nele há um coro de mulheres com burkas rosas e metralhadoras de papelão que fecha o círculo de ironia e sarcasmo da obra da companhia nova-iorquina Silk Circle Productions.

“Como todas as boas comédias Jihad: o musical aborda, de um modo divertido, um assunto da atualidade que as pessoas conhecem, que pode ser abordado com humor”, diz James Lawler, produtor do espetáculo, em comunicado à imprensa.

E para que os espectadores consigam rir, a companhia conta neste musical a história de um camponês que é enganado por uma misteriosa mulher, que, com a promessa de um futuro melhor, tenta convencê-lo a trabalhar numa suposta companhia afegã de exportação de papoulas.

Sayid descobre finalmente que a organização é uma célula terrorista que pretende pôr bombas no Ocidente e cujos membros tentam fazer uma lavagem cerebral para que ele entre no gruo. Tudo com a ajuda de danças coreografadas e canções irreverentes.

No entanto, algumas pessoas já se posicionaram contra a estréia do na Escócia, que, há um mês, foi palco de uma tentativa de atentado.

No site do Governo do Reino Unido, vários cidadãos pedem que o primeiro-ministro Gordon Brown “condene este retrato de mau gosto do terrorismo e de suas vítimas”.

Em resposta a este pedido, Lawler disse: “Não temos a intenção de ofender ou insultar com este espetáculo. É apenas uma comédia musical, em sintonia com a tradição britânica” de rir e não se render frente às ameaças.

O musical também faz críticas ao Ocidente, com a inclusão do personagem de uma jornalista com nome suspeitosamente similar ao de um canal de notícias americano, Foxy Redstate, que tenta convencer Sayid a se infiltrar na organização e, assim, conseguir a reportagem exclusiva que a levará à fama.

O protagonista acaba transformado numa marionete que deverá escolher a companhia “mais apropriada”, entre a oferecida pelos “jihadistas”, pela jornalista americana ou por sua irmã, que tentará resgatá-lo para o “lado bom” com a ajuda de um francês partidário de sua rendição.

Além de Sayid al-Boom e Foxy Redstate, um tal Hussein al-Mansour e uma tal Noor completam o elenco desta produção, na qual também há uma brecha para o romantismo com a curiosa música I only see your eyes (Só vejo seus olhos), uma irônica e pretensa canção de amor.

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