Perry Salles volta aos palcos num papel que ele conhece muito bem: o de ex-marido de Vera Fischer. Na peça A Primeira Noite de um Homem, dirigida pelo seu novo ídolo, Miguel Falabella, ele vê sua ex-mulher se interessar por um homem mais novo. O mesmo personagem ele viveu na novela Mandala, de 1987, na qual Vera teve um romance com Felipe Camargo na ficção e na vida real. “A vida imita a arte ou a arte imita a vida. Eu não sei mais”, se confunde Perry. Aos 65 anos, o ator demonstra tranqüilidade ao falar de assuntos como o peso de viver à sombra de uma deusa da TV. Perry ainda conta as dificuldades financeiras pelas quais passou até o ano passado.
Como surgiu o convite para a peça?
Vera me ligou avisando que ela e o Miguel Falabella iam montar o texto e que eu podia escolher o personagem. Eu estava morando na Bahia e Vera tinha me prometido um trabalho. Vivia dizendo que eu tinha que voltar para ganhar dinheiro.
Sua vida na Bahia estava muito difícil?
Eu morava no teatro que tenho lá. Estava passando necessidade. Só comia uma vez por dia para poder comprar outras coisas, como papel higiênico.
A Vera sempre te ajuda?
Ela é maravilhosa. Na estréia do meu espetáculo na Bahia, lá estava ela na primeira fila. Sei que ela também mexeu os pauzinhos para que eu pudesse voltar à TV em O Clone.
É fácil ser amigo de ex-mulher?
Não somos mais amigos como antes. Fizemos um pacto desde que começamos a trabalhar juntos na peça. A gente não se telefona mais nem se vê fora do teatro. Agora somos só colegas. Temos três anos de contrato pela frente. Depois, não sei se nossa relação vai voltar ao que era antes. Temos que ficar afastados. Eu preciso me locomover e conhecer novas pessoas.
Você se surpreendeu com o desempenho de sua filha Rafaela nos palcos?
Confesso que meus olhos lacrimejam toda vez que apresento Rafaela para a platéia. Eu já sabia de seu talento. Fico feliz porque eu estava em brasas para saber que direção ela tomaria. Uma hora ela queria fazer capoeira, outra era pandeiro, depois queria estudar teatro nos Estados Unidos. Ela rejeitava trabalhar com o pai ou com a mãe. Eu a via com mais de 20 anos e sem rumo na vida.
Vocês ficaram mais próximos com a peça?
Temos uma boa intimidade. Ela já passou uma temporada comigo na Bahia e me ajudava muito. Outro dia, ela me ligou e fui logo perguntando o que ela queria desta vez. Sei que filho só liga precisando de alguma coisa. Mas ela ligou para saber como eu estava.
Você não pensa em se casar de novo?
Estou com tudo em cima, mas por enquanto só tenho uma namorada, que mora em Belém. É uma relação civilizada. Hoje também tenho um grande parceiro, que é o computador. Ele ficou quatro dias quebrado e fiquei louco.
Você não sente falta de voltar à TV?
Nessa altura do campeonato não sinto mais falta de nada. Eu não paro de trabalhar e estou escrevendo meu primeiro romance. Estou interessado no comportamento humano.
Incomoda ser sempre associado a Vera Fischer?
Antigamente, eu me importava mais. Hoje, não ligo muito. Sei que sou punido por ter sido casado 16 anos com uma das mulheres mais desejadas do País. Eu tive que sofrer algum tipo de represália por ter cometido essa ousadia.