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Perfil de Hugo Carvana

Arquivo Geral

05/01/2006 0h00

Biografado no novo livro da Coleção Perfis do Rio, o ator e cineasta Hugo Carvana, de 68 anos, é duro com a nova geração de artistas de novela. Para ele, o “jovem não troca um fim de semana em Caras (ilha no litoral fluminense administrada pela Revista Caras) por uma aula de interpretação” e “fica rico com 20 anos de idade”.

Em Hugo Carvana, da jornalista Regina Zappa, ele só elogia dois atores da nova geração: Selton Mello e Fábio Assunção, a quem qualifica como “intuitivo”.

As críticas de Carvana também são dirigidas a quem escreve sobre televisão: “A crítica de TV hoje não é inteligente porque é, na verdade, uma crítica do sucesso. Sou do tempo em que o crítico destrinchava o trabalho”, diz.

Pode parecer, lendo os parágrafos anteriores, que, no livro, o ator e cineasta desfia opiniões na tentativa de provar algo do tipo “no meu tempo é que era bom”. Isso não é verdade. O trabalho agrega informações relevantes sobre a vida cotidiana e a trajetória profissional de Carvana. Mostra o artista nas chanchadas, no Cinema Novo, na TV, em família, no exílio e na política.

Menino de subúrbio, criado pela mãe costureira, Carvana vê exposto pela autora até mesmo seu envolvimento pesado, nas décadas de 60 e 70, com o álcool e as drogas disponíveis à época – cocaína, ácido lisérgico e maconha. Fala também do percurso de dez anos na psicanálise, que muito o ajudou a minimizar o problema.

Também é contada a forma obstinada com que venceu um câncer pulmonar, manifestado na segunda metade dos anos 90, misturando tratamentos convencionais com cirurgias espirituais.

A obra aborda ainda seu descontentamento com a atuação política que desenvolveu, inicialmente como simpatizante do Partido Comunista e, mais tarde, no primeiro governo de Leonel Brizola (1922-2004) no Estado do Rio, de 1983 a 1986.

Carvana chegou a ter um cargo gerencial na área de cultura. Ao deixar o governo, quase acabou o casamento com a jornalista Martha Alencar, assessora de Brizola. A união resistiu. Estão casados há quase 40 anos e têm quatro filhos.

“Não omiti nada. Até porque não tenho sentimento de culpa na minha vida. Às vezes, a realidade pode ter sido um pouco atenuada. Às vezes, escondi determinados ódios momentâneos”, admitiu o biografado.

Hugo Carvana surgiu a partir do convívio dele com a jornalista Regina Zappa, iniciado há cinco anos. “Ao entrevistá-lo sobre seu filme Apolônio Brasil, o Campeão da Alegria, percebi a riqueza de sua história. Ele atravessou uma fase da cultura brasileira, em que participou de quase tudo”, disse Regina, que já tinha escrito Chico Buarque para a coleção.

O livro conta como, aos 17 anos, o adolescente que não sabia o que fazer na vida se encantou com a profissão de ator. Foi em 1955, no estúdio da pioneira TV Tupi. Levado pelo amigo Joel Barcellos, ator que, como ele, mais tarde se consagraria no Cinema Novo, Carvana adorou o ambiente. Foi reprovado no teste, mas sua vida mudou a partir dali.
Começou em pontas nas chanchadas, guinou para um cinema mais engajado em 1962, trabalhou com os principais diretores do Cinema Novo e ingressou na TV em 1966. Cineasta, ofício a que se dedicou após a volta do exílio, no início dos anos 70, Carvana desenvolveu uma espécie de estilo carioca de fazer cinema. Agora, Carvana se dedica a finalizar o roteiro e a captação de recursos de A Casa da Mãe Joana, que planeja dirigir em 2006.

Perfis do Rio – Hugo Carvana – Livro de Regina Zappa (Editora Relume Dumará). 190 páginas. Preço médio: R$ 26

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    05/01/2006 0h00

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    Em Hugo Carvana, da jornalista Regina Zappa, ele só elogia dois atores da nova geração: Selton Mello e Fábio Assunção, a quem qualifica como “intuitivo”.

    As críticas de Carvana também são dirigidas a quem escreve sobre televisão: “A crítica de TV hoje não é inteligente porque é, na verdade, uma crítica do sucesso. Sou do tempo em que o crítico destrinchava o trabalho”, diz.

    Pode parecer, lendo os parágrafos anteriores, que, no livro, o ator e cineasta desfia opiniões na tentativa de provar algo do tipo “no meu tempo é que era bom”. Isso não é verdade. O trabalho agrega informações relevantes sobre a vida cotidiana e a trajetória profissional de Carvana. Mostra o artista nas chanchadas, no Cinema Novo, na TV, em família, no exílio e na política.

    Menino de subúrbio, criado pela mãe costureira, Carvana vê exposto pela autora até mesmo seu envolvimento pesado, nas décadas de 60 e 70, com o álcool e as drogas disponíveis à época – cocaína, ácido lisérgico e maconha. Fala também do percurso de dez anos na psicanálise, que muito o ajudou a minimizar o problema.

    Também é contada a forma obstinada com que venceu um câncer pulmonar, manifestado na segunda metade dos anos 90, misturando tratamentos convencionais com cirurgias espirituais.

    A obra aborda ainda seu descontentamento com a atuação política que desenvolveu, inicialmente como simpatizante do Partido Comunista e, mais tarde, no primeiro governo de Leonel Brizola (1922-2004) no Estado do Rio, de 1983 a 1986.

    Carvana chegou a ter um cargo gerencial na área de cultura. Ao deixar o governo, quase acabou o casamento com a jornalista Martha Alencar, assessora de Brizola. A união resistiu. Estão casados há quase 40 anos e têm quatro filhos.

    “Não omiti nada. Até porque não tenho sentimento de culpa na minha vida. Às vezes, a realidade pode ter sido um pouco atenuada. Às vezes, escondi determinados ódios momentâneos”, admitiu o biografado.

    Hugo Carvana surgiu a partir do convívio dele com a jornalista Regina Zappa, iniciado há cinco anos. “Ao entrevistá-lo sobre seu filme Apolônio Brasil, o Campeão da Alegria, percebi a riqueza de sua história. Ele atravessou uma fase da cultura brasileira, em que participou de quase tudo”, disse Regina, que já tinha escrito Chico Buarque para a coleção.

    O livro conta como, aos 17 anos, o adolescente que não sabia o que fazer na vida se encantou com a profissão de ator. Foi em 1955, no estúdio da pioneira TV Tupi. Levado pelo amigo Joel Barcellos, ator que, como ele, mais tarde se consagraria no Cinema Novo, Carvana adorou o ambiente. Foi reprovado no teste, mas sua vida mudou a partir dali.
    Começou em pontas nas chanchadas, guinou para um cinema mais engajado em 1962, trabalhou com os principais diretores do Cinema Novo e ingressou na TV em 1966. Cineasta, ofício a que se dedicou após a volta do exílio, no início dos anos 70, Carvana desenvolveu uma espécie de estilo carioca de fazer cinema. Agora, Carvana se dedica a finalizar o roteiro e a captação de recursos de A Casa da Mãe Joana, que planeja dirigir em 2006.

    Perfis do Rio – Hugo Carvana – Livro de Regina Zappa (Editora Relume Dumará). 190 páginas. Preço médio: R$ 26

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