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Percussionista Amoy Ribas enriquece manancial rítmico da música nacional

Arquivo Geral

21/05/2009 0h00

Custa a acreditar que um músico completo como Amoy Ribas um dia pensou em ser antropólogo. Aos 28 anos de idade, o brasiliense Amoy é um percussionista que dialoga de igual para igual com seus mestres. Em Paris, dividiu o palco com o vibrafonista Gary Burton, o acordeonista Richard Galliano e o bandolinista Hamilton de Holanda – todos referência em seus instrumentos. Gravou com Hermeto Pascoal, Arthur Maia, Mart’nália, excursionou pela Alemanha, Tunísia, Israel; e começa agora a colher os frutos de seu trabalho solo. Seu terceiro CD autoral, Tambores de Apuama, acaba de ser finalizado e é a base para os shows que realiza amanhã, em Taguatinga, no dia 2 de junho, no CCBB, e no final de junho no Teatro Sesc Newton Rossi, em Ceilândia.


O álbum – gestado com recursos do Prêmio Pixinguinha, da Funarte – dá pistas sobre esse lado pesquisador. Nele, instrumentos de percussão de diversas culturas e tradições (berimbau, atabaque, marimba) convivem com flautas, saxofones e trompetes. E Amoy não poupa esforços para enriquecer sua coleção rítmica.


Em janeiro passado, por exemplo, o músico embarcou numa aventura rumo a São Romão, município mineiro banhado pelo São Francisco e originalmente habitado por índios caiapós. Saindo de Pirapora, enfrentou sete horas de ônibus em chão de terra, com direito a travessia de balsa pelo Rio das Velhas. Sua missão: buscar um roncador, espécie de cuíca primitiva, talhada diretamente no tronco de uma árvore. “Tá vendo o que a gente faz por um tambor?”, brinca.


Nesse caso, o “mapa da mina” foi dado por seu tio por parte de mãe, Marku Ribas, um dos pioneiros do balanço black feito no Brasil (e afortunadamente redescoberto no filme Chega de Saudade, de Laís Bodanzky). “Foi ele que me apresentou o roncador, fez os contatos em ’São Rumão’ e me contou a história da Dona Maria do Boi.” Última guardiã do batuque praticado na região, a idosa presenteou Amoy com um roncador que havia sido da mãe dela – ou seja, um instrumento com mais de cem anos de idade. “Sobrou ela e o irmão, Seu Jerônimo. Quando eles se forem, a tradição fatalmente vai morrer”, prevê Amoy.


Formação
O primeiro instrumento de Amoy foi um bongô marroquino, dado por sua mãe na ocasião de seu aniversário de oito anos. Os dois moravam então na Índia, quando Ângela Ribas estudava a filosofia de Osho Rajneesh. Viveram também na Alemanha.


Depois disso, o menino teve a chance de retornar ao Brasil e descobrir suas raízes em Pirapora: apaixonou-se pelo congado, pelo reizado e pela residência em Brasília, em 1991, descobriu o rock e resolveu estudar violão. Passou uma temporada em Recife, em contato com o maracatu e o forró.


Na adolescência, pressionado para fazer faculdade, arriscou o vestibular de Antropologia. Para sorte do futuro da música brasileira, não passou. É que, nessa mesma época, Amoy teve uma epifania. “Ali estava eu no Curso de Verão (da Escola de Música de Brasília), no workshop do (baterista) Márcio Bahia, e me dei conta: o mundo era muito maior do que eu pensava. Aí pirei no pandeiro, essa minibateria portátil”, revela.


Amoy também nunca se esqueceu do momento mágico em que Hermeto Pascoal cruzou seu caminho. O bruxo estava em Brasília para uma série de apresentações no Clube do Choro e se interessou pelo som que a molecada da Escola de Choro Raphael Rabello fazia. A empolgação foi tanta que ele dispensou a calejada banda de apoio (Choro Livre) e chamou para o palco Amoy, Daniel Santiago (violão) e Gabriel Grossi (gaita). “Ali foi meu ritual de passagem. Eu pensei: ’Agora sou gente grande’.”


As asas de Amoy o levaram então para o Rio, onde viveu o renascimento do samba na Lapa, ao lado de Hamilton de Holanda, do violinista francês Nicolas Krassik, dos conjuntos Semente e Casuarina. E também o trouxeram de volta: está em Brasília para lecionar na mesma escola que o revelou. “Aqui é minha casa”, diz o músico sem fronteiras.


Amoy Ribas – Sexta-feira, às 20h, no Teatro Paulo Autran do Sesc, em Taguatinga (CNB 12, AE 2/3). Ingressos a R$ 2 (inteira). Informações: 3379-9586. Classificação livre.

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