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Paulo Coelho fala de suas fixações

Arquivo Geral

26/03/2005 0h00

Paulo Coelho viu a luz. Tornou-se mago, imortalizou-se ainda em vida na cadeira de número 21 da Academia Brasileira de Letras e, agora, quer mudar o mundo. Isto, se for possível apoderar-se do título de autor brasileiro de maior sucesso no exterior para “reverter os rumos da humanidade”, como confidenciou o escritor carioca em entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília, de seu “quartel-general” paradisíaco num povoado dos Montes dos Pirineus, no interior da França.

À essa obsessão do alquimista, de encontrar uma solução para os problemas sociais, pode ser aplicada uma única palavra: zahir. O verbete árabe (que em português significa algo como idéia fixa) é promovido por Coelho como título de seu 12º romance, O Zahir, que chega à livrarias no próximo dia 2 de abril, no primeiro lançamento mundial simultâneo de um escritor brasileiro. A tiragem inicial é de oito milhões de exemplares e será distribuída para 83 países (em 42 línguas). “Meu zahir é saber como poderia usar melhor minha fama e fortuna para ajudar a mudar o mundo para melhor”, assinala o escritor que também é colunista do JBr, com seus textos publicados sempre aos domingos, na página 5 do caderno Viva!.

Perante suas anotações filosóficas e sobrenaturais descritas em obras como O Alquimista, Diário de um Mago e O Dom Supremo, O Zahir poderia ser um divisor de águas em sua bibliografia – por se tratar de um romance menos provocativo, com composição narrativa semelhante a um dos casos de Hercule Poirot (o famoso detetive criado por Aghata Christie), sem o fator suspense. Mas não o é. “Vejo mais como uma peça do quebra-cabeças que sou para mim mesmo. Tudo gira em torno de certas discussões que tenho comigo mesmo”, define Coelho.

A justificativa procede. Ainda mais porque o novo livro do mago, editado pela Rocco, coloca propositalmente o próprio autor no divã, onde faz uma revisão de sua trajetória, desde aspectos que envolvem sua fama, o embate com a crítica e até o trabalho como letrista de música (ofício que realizou nos anos 70, em parceria com Raul Seixas e Rita Lee). À exceção da linha narrativa que acompanha o relacionamento conjugal, Coelho admite que 70% do que está relatado em O Zahir é autobiográfico.

O protagonista-narrador (sem nome) é um escritor famoso, rico e ex-exilado (um retrato fiel de sua juventude). “É uma repetição sobre a minha própria vida. Como o personagem é um autor, fica complicado separar o que diz respeito a mim e o que é próprio do personagem”, considera Paulo Coelho. A ficção sobe na balança no que diz respeito à linha de ação do enredo. Com o súbito desaparecimento de Esther, sua esposa há dez anos, o escritor procura encontrar a resposta para seu sumiço: “Se fora seqüestrada ou se teria se apaixonado por outro homem e fugido”.

Esther é uma jornalista, correspondente da guerra do Iraque, o que facilitaria ser alvo de alguma ação do inimigo. A personagem de Esther foi inspirada na escritora inglesa e correspondente de guerra Christina Lamb, autora do best-seller The Sewing Circles of Herat. E é neste momento que a vida de Paulo Coelho separa-se de seu alter-ego ficcional: “Continuo casado com minha mulher (a artista plástica Christina Oiticica), a quem o livro é dedicado”.

Os pés de Coelho estão no chão, a constatar pelo perfil do romance. Apesar de ignorar discussões místicas em O Zahir, as 318 páginas do romance foram digitadas por um alquimista. “A essência permanece inalterada. Sempre serei mago, porque a busca espiritual é primordial na minha vida. A magia não só é presente, como justifica a minha existência”, destaca.

O Zahir – 12º livro de Paulo Coelho (Editora Rocco). 318 páginas. Preço médio: R$ 35. Lançamento mundial em 2 de abril.

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    26/03/2005 0h00

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    À essa obsessão do alquimista, de encontrar uma solução para os problemas sociais, pode ser aplicada uma única palavra: zahir. O verbete árabe (que em português significa algo como idéia fixa) é promovido por Coelho como título de seu 12º romance, O Zahir, que chega à livrarias no próximo dia 2 de abril, no primeiro lançamento mundial simultâneo de um escritor brasileiro. A tiragem inicial é de oito milhões de exemplares e será distribuída para 83 países (em 42 línguas). “Meu zahir é saber como poderia usar melhor minha fama e fortuna para ajudar a mudar o mundo para melhor”, assinala o escritor que também é colunista do JBr, com seus textos publicados sempre aos domingos, na página 5 do caderno Viva!.

    Perante suas anotações filosóficas e sobrenaturais descritas em obras como O Alquimista, Diário de um Mago e O Dom Supremo, O Zahir poderia ser um divisor de águas em sua bibliografia – por se tratar de um romance menos provocativo, com composição narrativa semelhante a um dos casos de Hercule Poirot (o famoso detetive criado por Aghata Christie), sem o fator suspense. Mas não o é. “Vejo mais como uma peça do quebra-cabeças que sou para mim mesmo. Tudo gira em torno de certas discussões que tenho comigo mesmo”, define Coelho.

    A justificativa procede. Ainda mais porque o novo livro do mago, editado pela Rocco, coloca propositalmente o próprio autor no divã, onde faz uma revisão de sua trajetória, desde aspectos que envolvem sua fama, o embate com a crítica e até o trabalho como letrista de música (ofício que realizou nos anos 70, em parceria com Raul Seixas e Rita Lee). À exceção da linha narrativa que acompanha o relacionamento conjugal, Coelho admite que 70% do que está relatado em O Zahir é autobiográfico.

    O protagonista-narrador (sem nome) é um escritor famoso, rico e ex-exilado (um retrato fiel de sua juventude). “É uma repetição sobre a minha própria vida. Como o personagem é um autor, fica complicado separar o que diz respeito a mim e o que é próprio do personagem”, considera Paulo Coelho. A ficção sobe na balança no que diz respeito à linha de ação do enredo. Com o súbito desaparecimento de Esther, sua esposa há dez anos, o escritor procura encontrar a resposta para seu sumiço: “Se fora seqüestrada ou se teria se apaixonado por outro homem e fugido”.

    Esther é uma jornalista, correspondente da guerra do Iraque, o que facilitaria ser alvo de alguma ação do inimigo. A personagem de Esther foi inspirada na escritora inglesa e correspondente de guerra Christina Lamb, autora do best-seller The Sewing Circles of Herat. E é neste momento que a vida de Paulo Coelho separa-se de seu alter-ego ficcional: “Continuo casado com minha mulher (a artista plástica Christina Oiticica), a quem o livro é dedicado”.

    Os pés de Coelho estão no chão, a constatar pelo perfil do romance. Apesar de ignorar discussões místicas em O Zahir, as 318 páginas do romance foram digitadas por um alquimista. “A essência permanece inalterada. Sempre serei mago, porque a busca espiritual é primordial na minha vida. A magia não só é presente, como justifica a minha existência”, destaca.

    O Zahir – 12º livro de Paulo Coelho (Editora Rocco). 318 páginas. Preço médio: R$ 35. Lançamento mundial em 2 de abril.

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