Coelho disse que seria muito interessante para a poderosa indústria editorial se inspirar no que ocorre em Cannes.
“O que há em Cannes é muito revolucionário e acho que os editores de livros deveriam tomar como uma escola”, disse.
Os conglomerados editoriais, acrescentou, “devem ver como se faz a promoção de um filme, sair dessas coisas intelectuais que não chegam a ninguém, e ver como fazem aqui para modelar um pouco da energia que há em Cannes”, defendeu.
“A indústria do livro tem um complexo de inferioridade. Quando se fala de dinheiro, isso não é verdade, pois um livro pode vender tanto ou mais que um filme”, comparou.
A ligação do escritor com o cinema inclui a adaptação de três de seus livros. A primeira é O Alquimista, cujos direitos cinematográficos ele cedeu no início da carreira, em 1993, quando “ainda nunca inexperiente” no assunto. Depois tentou recuperá-los, sem sucesso, por achar que não fosse um livro “adaptável”.
“Não era tão jovem mas não tinha experiência”, justificou. “Não vejo fazer um filme como conseqüência natural de fazer um livro”. Um filme “pode promover um livro mas também pode derrubá-lo rapidamente”, disse.
“Todo dia ligam para minha agente em Barcelona para pedir os direitos dos meus romances. Não tenho nenhum interesse em vender. Acho que o filme tem lugar na cabeça do leitor”, acrescentou.
Isso não impediu o escritor ceder os direitos de Veronika Decide Morrer e Onze Minutos, um de seus últimos sucessos. O contrato estabelece “uma data limite de cinco anos” até a qual, se os filmes não forem realizados, Coelho recuperará os direitos.
O escritor não pretende se intrometer no processo de nenhum dos três filmes, como sugeriram, mas quer ir a vê-los quando estiverem prontos. “Só me sinto responsável pelo que escrevo”, disse, não pelos filmes que se inspiram neles.