Tudo novo de novo novamente. Não há nada que resuma melhor o novo trabalho do músico Paulinho Moska do que esse jogo de palavras. O CD-DVD + Novo de Novo, que teve uma parte gravada na cidade há cerca de dois anos e meio, volta a Brasília, o “útero do filho que já nasceu”, segundo palavras do próprio cantor, para enfim celebrar o êxito do projeto. As apresentações de lançamento do CD-DVD serão neste fim de semana no Teatro da Caixa.
O começo de toda essa história não foram notas e arranjos musicais, e sim luzes, reflexos e reflexões. A partir de auto-retratos tirados de sua própria imagem refletida em objetos espelhados dos hotéis em que se hospedava, Moska passou a compor novas canções. Dessas canções surgiu o CD Tudo Novo de Novo e, dele, o atual projeto. Além disso, também houve uma exposição das fotografias.
Para englobar tudo isso, o cantor achou que o DVD deveria ir além do show gravado em Brasília. “Conversei com Pablo Casacoberta, o diretor do DVD, e tivemos a idéia de fazer uma espécie de filme para conduzir todo esse processo criativo. Passamos a nos comunicar e construir essa história aos poucos. Por isso, foi necessário algum tempo para finalizar o projeto”, explica Paulinho. “Essa também foi uma forma de trazer parceiros como Jorge Drexler e Martnália, que não puderam participar das filmagens em Brasília, para o DVD”, acrescenta.
E nada melhor para representar o novo do que o erro. O DVD, que inicia com uma série de erros cometidos por um repórter local que fazia uma reportagem a época de gravação, mostra que são das falhas que conseguimos os acertos. “Não acertamos o tempo inteiro, mas devemos tentar felizes. Está certo que o erros são sempre piores que os acertos, mas eles são necessários”, conta Moska.
Para mostrar que mesmo os desacertos podem ser bem sucedidos, o DVD finaliza com a cena dos garotos do grupo Bate-Lata, que participaram da filmagem, assistindo ao êxito do jornalista na televisão. “O melhor disso tudo, é que não foi encenação para o DVD. Essas coisas aconteceram na realidade. Isso é documentário, vida pura, poesia”, afirma Paulinho.
Além do Bate-Lata, outra parceria marcante foi o uruguaio Jorge Drexler. Segundo Moska, os dois continuam trabalhando juntos, fazendo shows internacionais. Drexler possibilitou que ele começasse a desenvolver uma carreira em países como Argentina, Uruguai, Espanha e Chile, assim como Moska trouxe o uruguaio para o lançamento da turnê do CD Tudo Novo de Novo no País. “O que aconteceu entre nós foi um encontro humano, uma amizade mesmo. Já saímos até de férias juntos”, fala o músico descontraído.
Misturando realidade, felizes acasos e ficção, existe uma coisa no DVD que passa longe de uma simples coincidência: a escolha da capital do País como local do show. Além da grande ligação de Moska com o público da cidade, o músico considera que Brasília é palco de uma “diversidade cultural concentrada, que está prestes a aflorar” e isso representa o novo de novo.
Se o novo continua, a fotografia também permanece na vida de Moska. “Consegui sair do banheiro, agora estou trabalhando com tijolos de vidro. Se eu fosse um artista plástico, diria que estou na minha segunda fase”, brinca. Mas agora, as fotos se misturam com televisão. “Não tiro mais auto-retratos. Agora fotografo outras pessoas. Tiro retratos dos músicos que participam do meu programa de televisão, o Zoombido”, acrescenta.
Mesmo no + Novo de Novo, o antigo está presente. A música que norteia a parte ficcional do DVD, Coração Vagabundo, tem uma participação importante na vida do cantor. Ela é a primeira música do primeiro álbum de Caetano Veloso, grande referência musical de Moska. “Caetano é um ídolo, na minha adolescência, eu queria ser como ele. Usar Coração Vagabundo foi uma forma de homenageá-lo”, explica.
Além disso, a canção é um jeito de envolver toda a história em um sonho. A música esquecida que é cantarolada durante todo o percurso do DVD e só é lembrada no final é uma maneira de expressar a sensação de vigília. “A vigília, aquela fase em que estamos meio dormindo e meio acordados, expressa muito bem a atmosfera de criação. Pelo menos é o que eu acredito. E como é a minha verdade, eu quis fazer algo que expressasse essa sensação”, finaliza Moska.
Paulinho Moska – Dias 16 e 17 de junho, sábado, às 21h; domingo, às 20h. Ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada para estudantes, professores, funcionários da Caixa, pessoas com 60 anos ou mais e doadores de 2kg de alimento não-perecível). No Teatro da Caixa (SBS Qd 4 lote 3/4, anexo do edifício Matriz da Caixa).