Um acontecimento bíblico marcante na visão de Konstantin Christoff. O artista plástico traz a exposição Via-Sacra para Brasília, onde conta, em 16 cenas, a história da paixão de Jesus de forma pessoal e ironicamente humorada. A mostra estará aberta para visitação de amanhã a 29 de setembro, no foyer da Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.
O artista, de 80 anos, diz não ter tempo determinado de carreira. Autodidata, pintava desde criança e desenvolveu sozinho as técnicas da pintura. Médico conceituado, deixou a medicina há quase 20 anos para se dedicar à pintura.
Para Konstantin, Via-Sacra é a exposição mais forte que já fez. “Peguei um fato tão marcante e modifiquei as cenas. Me dei esse direito. Eliminei algumas, compactei outras e criei também”, conta.
Apesar de ter uma pintura tradicionalmente de deboche, Konstantin garante que a exposição não é. “Mas também não é para as pessoas ajoelharem e rezaram. É algo diferente. Não é nada de ofensivo a quem tem fé”, explica.
Os 16 quadros gigantes, que medem cerca de 3,2 metros têm vários formatos, não estão a venda. O pintor pretende ir atrás de apoio para construir uma capela projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, em Montes Claros, Minas Gerais. As obras da Via- Sacra serão colocadas lá.
O artista já fez inúmeras exposições, principalmente no eixo Rio-São Paulo e em Montes Claros. Mas também já levou obras para Nova York. A próxima exposição já está nos planos de Konstantin. “Estou preparando obras sobre os pecados capitais, só que não apenas sete, mas sim oito pecados”, anima-se.
O objetivo da exposição é retratar uma tragédia, ele quis mostrar o que o homem é capaz de fazer com o próprio homem. “Sou ateu, mas não fiz deboche. Procurei respeitar o espírito cristão”, conclui Konstantin.