Antes de serem reconhecidos como grandes gênios cinematográficos, como eram os filmes dos maiores nomes do cinema mundial? Para responder a esta pergunta, a mostra Antes da Fama, no Centro Cultural Banco do Brasil de hoje até o dia 5 de setembro, retirou das prateleiras empoeiradas das distribuidoras independentes títulos preciosos de 12 diretores de todo o mundo.
A intenção da mostra é exibir filmes que amargaram injusto anonimato. Os diretores escolhidos foram o italiano Bernardo Bertolucci, o canadense David Cronenberg, os norte americano Gus Van Sant e Quentin Tarantino, o inglês Ken Loach, o polonês Krzysztof Kieslowski, o dinamarquês Lars Von Trier, o português Manoel de Oliveira, o espanhol Pedro Amodóvar, o alemão Win Wenders e para representar o cinema oriental, Abbas Kiarostami e Zhang Yimou.
Para o curador da mostra, João Juarez, esta é uma oportunidade para os cinéfilos assistirem ou reverem obras que não receberam o merecido reconhecimento nas respectivas filmografias graças a rápidas passagens pelas salas de exibição. Ele ressalta preciosidades como o filme Aniki Bobó (1941), primeiro longa-metragem realizado por Manoel de Oliveira e que apresenta uma face do diretor completamente desconhecida por grande parte do público brasileiro.
Normalmente identificado como um cineasta “cabeça”, na obra Aniki Bobó ele antecipa procedimentos do neo-realismo italiano de De Sica e Zavanttini contando o drama de um garoto que tenta se enturmar. Apesar de o filme ter sido considerado um marco no cinema português e até premiado em Cannes, o autor só voltaria a filmar longas 21 anos depois.
Outro destaque é a obra A Cicatriz, (1976) de Kieslowski, que só chegou às telonas brasileiras nos anos 90 e Onde Fica a Casa do Meu Amigo (1987), de Kiarostami, que comprova a perseverança do autor no caminho do cinema realista humanista. Lars Von Trier, por outro lado, em Ondas do Destino, mostra que abusou de efeitos especiais e trilha sonoras, elementos que hoje condena.