Quando os dois jornalistas irlandeses Kim Bartley e Donnacha O´Brian foram para a Venezuela, em abril de 2002, fazer um documentário sobre o presidente Hugo Chávez, não sabia que teriam uma revolução pela frente. A experiência virou um documentário polêmico, A Revolução não será Televisionada, que a TV Câmara exibe hoje, às 22h30, quatro dias antes da realização do plebiscito que vai decidir se o presidente Chávez permanece ou não no cargo até 2006.
A Revolução não será Televisionada é o ponto de partida para um debate promovido pela TV Câmara sobre aquele país e seu líder, que será exibido logo depois do filme.
O polêmico documentário provocou diversas reações nos países onde foi exibido. Para alguns, trata-se de um filme brilhante, que revela os detalhes de uma tentativa frustrada de golpe de estado; para outros, não passa de uma propaganda de governo, onde fatos e imagens são manipulados a favor de Hugo Chávez.
Produzido em parceria com a BBC de Londres, o filme começou a ser produzido meses antes da tentativa de golpe no Palácio Miraflores. A princípio, a dupla de jornalistas irlandeses Kim Bartley e Donnacha O´Brian pretendia apenas produzir um documentário sobre a figura do presidente bolivariano. Mas o destino faz com que eles estivessem exatamente na sala de Chavez no momento em que ocorre a tentativa de deposição, dia 11 de abril de 2002.
bastidoresA partir daquele momento, Kim e Donnacha permanecem no palácio presidencial e acompanham de perto os bastidores daqueles que foram alguns dos dias mais tensos da história da Venezuela, com a tomada do poder e o retorno dramático de Hugo Chávez, 48 horas depois.
As pressões internacionais, a divisão entre os próprios venezuelanos, a tensão dentro e fora do palácio presidencial e a influência dos grupos de comunicação durante todo o processo são mostrados de forma contundente por Kim e Donnacha – a única equipe de televisão a ter acesso ao Palácio Miraflores durante a tentativa de golpe.
No debate produzido pela TV Câmara, o documentário é analisado por Gilberto Maringoni, jornalista e historiador, José Carlos Aleixo, doutor em Ciência Política, José Carlos Avellar, crítico de cinema e pelo deputado federal Francisco Rodrigues, presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Venezuela.