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Onda de regravações

Arquivo Geral

10/03/2005 0h00

O nome varia, mas a fórmula é resgatar antigos sucessos e os colocar de novo na boca do povo. Assim, surgem as coletâneas, os discos ao vivo e os acústicos. Na última semana, o ranking do Nopem trazia oito álbuns nesses formatos entre os dez nacionais mais vendidos, e 12 entre os 15. Se considerarmos nacionais e internacionais, são cinco entre os dez mais.

Segundo o produtor musical César Augusto, a tendência surgiu há cerca de três anos e reflete a crise na indústria fonográfica. “A pirataria dominou quase 70% do mercado. As coletâneas são retorno garantido para as gravadoras porque não representam gastos”, diz Augusto. “Os músicos, o produtor e os equipamentos já foram pagos. O produto está pronto: é só lançar”, completa.

Ele diz ainda que um disco ao vivo, por exemplo, sai cerca de 40% mais barato que um álbum todo feito em estúdio, que pode chegar a custar R$ 500 mil. “É claro que um artista, em uma cidadezinha do interior, pode fazer um CD com R$ 5 mil, com qualidade discutível. E, mesmo quando uma gravadora está por trás, os gastos são relativos. Uma banda iniciante tem uma verba, um artista mediano tem outra, e os top de linha são os que mais têm dinheiro, já que contam com uma tiragem inicial garantida”, conta.

O Skank, que fez um MTV ao Vivo quando a banda completou dez anos, lançou Radiola, com oito regravações, no final do ano passado, pois esse era um projeto da gravadora Sony. Nem houve turnê. Em abril, quando voltam de férias, deverão começar a fazer um novo disco. Dessa vez, de inéditas.

Para o produtor e compositor Arnaldo Sacomani, resgatar hits pode tirar um artista do esquecimento. “Se ele precisa voltar para a mídia, é uma boa opção. Os que estão bem só usam o recurso quando têm muita bagagem e querem relembrar”.

Sacomani diz que o formato ao vivo é um sucesso recente. “Há poucos anos, músicas ao vivo eram proibidas de tocar no rádio”, lembra. “Esses discos têm mais chances de ser bem vendidos, mas o artista só pode usar a fórmula a cada três anos e, depois de duas vezes, não dá para repetir. São as inéditas que consolidam uma carreira”, afirma.

A MTV começou a apostar nas regravações em 1992, quando produziu o primeiro Acústico no Brasil, com João Bosco. Em 1997, a fórmula explodiu com o disco do Titãs, o que deu um empurrãozinho para serem criados o MTV ao Vivo – em 2000, com Raimundos – e o MTV Apresenta, em 2004, com Dead Fish.

Os forrozeiros do Falamansa foram os últimos a gravar um MTV ao Vivo, que sairá em abril. Segundo Tato, esse era um sonho antigo. Mas ele ressalta: “Regravações são feitas para driblar a falta de criatividade. Em um disco ao vivo, o artista aposta em seu próprio trabalho. No nosso caso, por exemplo, há regravações e inéditas”.

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    Onda de regravações

    Arquivo Geral

    10/03/2005 0h00

    O nome varia, mas a fórmula é resgatar antigos sucessos e os colocar de novo na boca do povo. Assim, surgem as coletâneas, os discos ao vivo e os acústicos. Na última semana, o ranking do Nopem trazia oito álbuns nesses formatos entre os dez nacionais mais vendidos, e 12 entre os 15. Se considerarmos nacionais e internacionais, são cinco entre os dez mais.

    Segundo o produtor musical César Augusto, a tendência surgiu há cerca de três anos e reflete a crise na indústria fonográfica. “A pirataria dominou quase 70% do mercado. As coletâneas são retorno garantido para as gravadoras porque não representam gastos”, diz Augusto. “Os músicos, o produtor e os equipamentos já foram pagos. O produto está pronto: é só lançar”, completa.

    Ele diz ainda que um disco ao vivo, por exemplo, sai cerca de 40% mais barato que um álbum todo feito em estúdio, que pode chegar a custar R$ 500 mil. “É claro que um artista, em uma cidadezinha do interior, pode fazer um CD com R$ 5 mil, com qualidade discutível. E, mesmo quando uma gravadora está por trás, os gastos são relativos. Uma banda iniciante tem uma verba, um artista mediano tem outra, e os top de linha são os que mais têm dinheiro, já que contam com uma tiragem inicial garantida”, conta.

    O Skank, que fez um MTV ao Vivo quando a banda completou dez anos, lançou Radiola, com oito regravações, no final do ano passado, pois esse era um projeto da gravadora Sony. Nem houve turnê. Em abril, quando voltam de férias, deverão começar a fazer um novo disco. Dessa vez, de inéditas.

    Para o produtor e compositor Arnaldo Sacomani, resgatar hits pode tirar um artista do esquecimento. “Se ele precisa voltar para a mídia, é uma boa opção. Os que estão bem só usam o recurso quando têm muita bagagem e querem relembrar”.

    Sacomani diz que o formato ao vivo é um sucesso recente. “Há poucos anos, músicas ao vivo eram proibidas de tocar no rádio”, lembra. “Esses discos têm mais chances de ser bem vendidos, mas o artista só pode usar a fórmula a cada três anos e, depois de duas vezes, não dá para repetir. São as inéditas que consolidam uma carreira”, afirma.

    A MTV começou a apostar nas regravações em 1992, quando produziu o primeiro Acústico no Brasil, com João Bosco. Em 1997, a fórmula explodiu com o disco do Titãs, o que deu um empurrãozinho para serem criados o MTV ao Vivo – em 2000, com Raimundos – e o MTV Apresenta, em 2004, com Dead Fish.

    Os forrozeiros do Falamansa foram os últimos a gravar um MTV ao Vivo, que sairá em abril. Segundo Tato, esse era um sonho antigo. Mas ele ressalta: “Regravações são feitas para driblar a falta de criatividade. Em um disco ao vivo, o artista aposta em seu próprio trabalho. No nosso caso, por exemplo, há regravações e inéditas”.

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