Ela entrou para a história como uma revolucionária alemã, engajada nos ideais comunistas e casada com o “cavaleiro da esperança” Luís Carlos Prestes. Mas em Olga, primeiro longa-metragem do diretor global Jayme Monjardim, o lado político da guerrilheira ficará à sombra da mulher. Baseado no livro homônimo de Fernando Morais, o filme começa a ser rodado no dia 12 de agosto.
“Eu já sonhava em filmar essa história há muito tempo”, conta o diretor ao Jornal de Brasília. “Quase não acreditei quando a Rita (Buzzar, roteirista do filme) me ligou dizendo que tinha um roteiro pronto sobre a Olga, só que mostrando o lado humano dela. Queria fazer uma coisa diferente, não mostrar apenas um momento histórico, mas a história de amor de uma mulher e suas crenças.”
Para viver a personagem principal, Jayme escalou a atriz Camila Morgado, descoberta por ele e que brilhou na minissérie A Casa das Sete Mulheres como a doce Mariana, eterna apaixonada por Giuseppe Garibaldi (Tiago Lacerda). No elenco também estão Fernanda Montenegro, Christiane Torloni, Toni Ramos e Dan Stulbach, entre outros.
“A Olga tem uma coisa muito marcante, que são os olhos”, explica o diretor. “O olhar é meio caminho andado para desvendar a alma da Olga. A Camila e a Olga são muito parecidas. E isso tem uma importância grande nesse projeto.”
Camila Morgado, de 28 anos, concorda com o diretor: “Na verdade, não acho que sejam só os olhos. A gente tem um jeito de olhar muito parecido e isso é o que mais me surpreendeu desde o dia que eu vi a foto da Olga pela primeira vez. Eu não sei descrever, é físico mesmo. O desenho do olho… Eu me olho no espelho e digo que sou ela”.
As filmagens de Olga – orçado em R$ 12 milhões – terão como locações o Rio de Janeiro e algumas cidades da Alemanha – incluindo o campo de concentração onde Olga morreu – e da Romênia. Comviagem marcada para Berlim na sexta-feira, Monjardim tem apenas dois dias para encontrar alguém que se encaixe no papel de Luís Carlos Prestes, segundo marido de Olga. “Nessa viagem, quero encontrar a alma da Olga. Quero andar por onde ela andou. Vou sozinho para lá e vou visitar os lugares por onde ela esteve, o campo de concentração. Vou aproveitar para fotografar os lugares.”
Com 20 anos de televisão, Jayme acumula a experiência de quem dirigiu 11 novelas (entre estas Pantanal, Ana Raio e Zé Trovão, Terra Nostra e O Clone) e quatro minisséries (O Canto das Sereias, Chiquinha Gonzaga, Aquarela do Brasil e A Casa das Sete Mulheres), mas não esconde a ansiedade pela estréia no cinema. “Não é um friozinho na barriga que eu estou sentido. Estou congelado de medo”, brinca. “Mas eu dou um jeito. A primeira semana vai ser terrível porque é uma experiência nova, um mundo novo. O tempo do cinema é diferente da TV, não pode errar.”