Que Brasília tem como uma de suas vocações o cinema todos já sabemos. A cidade tem uma jovem geração de cineastas que integram festivais no Brasil e exterior, abriga os cineastas pioneiros que fizeram da capital sua casa e aqui produziram verdadeiras e históricas odes ao cinema nacional. Isso sem falar do crescente número de salas de cinema que têm sido inauguradas nos últimos anos.
Diante dessa demanda crescente por parte dos amantes das películas, é que o Centro Cultural Banco do Brasil inaugura hoje, e abre ao público a partir de amanhã, a mais nova sala de cinema da cidade. “Brasília tem um grande volume de público que freqüenta os cinemas, o que é um grande diferencial e que faz a cidade reforçar sua vocação cinéfila”, diz Leandro Wirz, gerente de Comunicação do CCBB. Para ele, com a inauguração do cinema, o CCBB estará complementando uma oferta de cultura e entretenimento que faltava no local. “Vamos cumprir o objetivo de atuar em todas as áreas, agora, inclusive, na sétima arte”, analisa.
Outro ponto positivo com a inauguração da sala é a alta tecnologia utilizada. “Nos preocupamos com a qualidade. A sala, com capacidade para 76 lugares, terá um projetor conjugado (35mm e 16mm), sistema de áudio e vídeo programado por computador”, diz Leandro.
Para abrir o espaço com chave-de-ouro foi organizada a mostra Brasília a 24 Quadros, um verdadeiro raio-x do cinema candango, desde filmagens pioneiras de fins dos anos 50 a filmes ainda inéditos no circuito comercial. O evento será dedicado à memória do cineasta Afonso Brazza.
A programação inclui 37 títulos entre longas, curtas e médias-metragens, além de trabalhos em vídeo. Segundo o curador, o crítico e pesquisador de cinema Carlos Alberto Mattos, Brasília a 24 Quadros é uma tentativa precoce de recensear uma filmografia ainda emergente. “Selecionamos filmes com alguma importância histórica, seja para o cinema brasiliense, seja para o brasileiro”, diz o curador. “Filmes importantes tiveram que ficar de fora, ou por dificuldades técnicas de exibição por conta de cópias deterioradas ou negativos perdidos, ou pela natural limitação de porte do evento”, completa Carlos.
O trabalho de pesquisa, iniciado há mais de um ano, foi minucioso. “Foi um trabalho de formiga pois em alguns casos foi preciso procurar filmes que o diretor inclusive já havia morrido. Isso só fez aumentar o valor da mostra”, observa Carlos, que durante seis anos foi responsável pela programação do cinema do CCBB do Rio de Janeiro. As exibições serão de amanhã a 14 de setembro, de 12h30 às 20h30, com entrada franca.