Agaleria de arte Errol Flynn, de Belo Horizonte, realiza um leilão de parte de seu acervo de 5 mil títulos pela primeira vez em Brasília. Nos dias 12 e 13, às 21h, no Gilberto Salomão, 350 obras, entre quadros e esculturas, de 1920 até hoje, poderão ser arrematadas em até dez parcelas, sem juros. “É uma oportunidade única de as pessoas adquirirem importantes peças por preços de 30% a 60% abaixo do valor real”, garante o marchand Errol Flynn.
Segundo ele, o acervo reúne obras dos estilos contemporâneo, moderno, expressionista, abstrato e naïf. Os lances iniciais variam de R$ 200 a R$ 120 mil. O título mais barato é a serigrafia Casario, de Fang, pintor chinês, radicado no Brasil desde 1951. A obra mais cara é a escultura em bronze Nu Feminino, de 1930, de Victor Brecheret, artista paulista falecido em 1955. Premiado como melhor escultor nacional na I Bienal de São Paulo, em 1951, Brecheret teve 12 esculturas expostas na Semana da Arte Moderna, de 1922.
Um dos destaques do leilão vai para a serigrafia de Oscar Niemeyer Nu e Poesia, de 1988, cujo lance inicial é de R$ 1.400. Além de desenhar traços simples, que dão vida a um corpo feminino, o arquiteto mostra seu lado poético. “Não é um ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem”, afirma. “O que me atrai é a curva sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas nuvens do céu, no corpo da mulher amada. De curvas é feito todo o universo. O universo curvo de Einstein”.
Errol Flynn informa que todas as peças têm certificado de autenticidade. “Na maioria das vezes, eu visito os ateliês dos próprios artistas”, conta. Colecionador de obras de arte há 30 anos, o marchand aponta o quadro Paisagem no Lago, de Manuel Santiago, de 1920, como um dos mais importantes do acervo. “A obra é muito interessante porque, dependendo do ângulo em que você olha, vê paisagens diferentes”, destaca.
Outros nomes da pintura presentes no leilão são o modernista carioca Di Cavalcanti, com a gravura Casal, e o seguidor da arte naïf Antônio Poteiro, representado pelos quadros O Sonho de JK, Cristo Redentor, Fantasias, Ciranda com Anjos, Homenagem à Bahia. “Destaco também as obras de Enrico Bianco, um dos grandes pintores do Brasil, e o quadro O Enigma de L. L. Vauthier, de João Câmara”, diz Flynn. Uma das peças de Bianco é o quadro São Francisco, que mede um metro por 70 centímetros e é um dos mais atuais do acervo.
O marchand lembra que o pagamento pode ser feito com cheque e cartão de crédito. A intenção, segundo ele, é aumentar o número de parcelas nos próximos anos. “Queremos desmistificar a arte. Não é só gente rica que pode ter acesso a obras importantes, mas quem tem bom gosto e cultura”, opina.
Serviço
Lelilão Errol Flynn – Venda de 350 obras do acervo da galeria mineira. Dias 12 e 13, às 21h, no Gilberto Salomão, com quadros e esculturas do período de 1920 até hoje. Em até dez parcelas no cheque, sem juros, ou cinco no cartão.