Homenagem à capital federal, a mostra Série Brasília, de Carlos Bracher, brinda do Museu Nacional no Conjunto Cultural da República. São 66 quadros, 30 aquarelas e um painel que, ao retratarem a paisagem de Brasília, colocam em destaque os traços do urbanista Lúcio Costa e do arquiteto Oscar Niemeyer.
“Na verdade, a mostra é uma homenagem que sempre quis fazer ao idealizador de Brasília, o presidente Juscelino Kubitschek”, resume o artista. Há mais de 40 anos expondo suas obras na cidade, ele conta que sempre que vinha aos vernissages ficava “impregnado” das formas arquitetônicas dos edifícios, ainda que se defina como um homem barroco “Minha alma é de caos e de curvas”, atenta.
Entretanto, as impressões suscitadas acrescidas da admiração por JK falaram mais alto. “As duas ocasiões em que com ele estive foram marcantes em minha vida. A primeira quando eu tinha 13 anos, em minha cidade natal, Juiz de Fora (MG). Minha mãe era colega de Juscelino em Diamantina. E a última vez aconteceu um ano antes de sua morte, quando ele foi ao meu ateliê especialmente para conhecer melhor meus quadros”, afirmou.
Carreira
Série Brasília comemora os 50 anos de carreira de Bracher, que começou dedicando-se à escultura (conquistou a medalha de bronze no Salão Nacional de Belas Artes de 1960). Ao transferir-se para a pintura, tornou-se aluno de Inimá de Paula, na Escola Municipal de Belas-Artes, em Belo Horizonte, ocasião em que aprendeu técnicas de mural e mosaico.
Com Orlandinho Seitas Fernandes teve aulas sobre o barroco mineiro. Em 1967, foi agraciado com o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, do Salão Nacional no Rio de Janeiro, que proporcionou sua estada na Europa por dois anos, para estudos e aprimoramento de técnica. Desde então, sua pintura, de forte tendência impressionista, evoluiu para uma forma mais elaborada, tratada com grande elaboração cromática.
A partir de dezembro de 1971, com a residência fixada em Ouro Preto (MG), empreendeu e desenvolveu várias fases de seu trabalho e iniciou inúmeras exposições por todo o País. Em 1980, recebeu o Prêmio Destaque Hilton de Pintura, patrocinado pela Funarte e Souza Cruz, como um dos dez artistas que mais se destacaram no Brasil, durante a década de 70, ao lado de Tomie Ohtake, Siron Franco e Cláudio Tozzi.
A produção dos trabalhos expostos agora em Brasília foi iniciada em novembro do ano passado, antes mesmo de o pintor se dar conta de que a sua finalização se daria na época dos 50 anos do início da construção de Brasília. “O convite de Silvestre Gorgulho (secretário de Cultura do DF) para inaugurar a Série Brasília no Museu da República está sendo uma feliz oportunidade para coroar essas felizes coincidências”, afirmou Bracher.
O processo criativo da exposição foi captado em vídeo pela filha do pintor, a jornalista Blima Bracher, e pelo fotógrafo Sérgio Pereira Silva. As imagens se transformaram no documentário Âncora aos Céus, e as fotos, no livro Bracher/Brasília, que serão lançados hoje, na abertura da mostra. “É meu cântico de amor a Juscelino e a todos os homens que configuraram esta cidade”, define.
Série Brasília – Exposição de Carlos Bracher. De 20 a 26 de setembro. No Museu Nacional (Conjunto Cultural da República, Esplanada dos Ministérios). Mais informações: 3325-6157.