Marcella Oliveira
Um dos grandes atores do teatro brasileiro apresenta em Brasília o maior sucesso de sua carreira. Paulo Autran encena o espetáculo Quadrante, um show bem-humorado que ele faz há 15 anos pelo País e o exterior. A apresentação, única, será amanhã, às 21h, no Espaço Cultural do Sesc Taguatinga – que leva o nome do ator e abre a temporada cultural do novo espaço, inaugurado em março deste ano.
Em Quadrante, Paulo Autran conta histórias engraçadas por meio de textos, crônicas, prosa e poesia de Rubem Braga, Monteiro Lobato, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira e Guimarães Rosa. “O espetáculo se transformou no maior sucesso de minha carreira”, comemora o premiado ator.
É a primeira vez que Paulo Autran se apresenta em Taguatinga, e diz que gosta muito do público de Brasília. “É maravilhosa a energia da platéia brasiliense”, elogia. “É um público inteligente, agradável, caloroso. E posso garantir às pessoas que forem ver o espetáculo que vão se divertir e se emocionar. A reação é sempre muito boa”.
O nome do teatro foi uma homenagem ao ator que, aos 82 anos, continua firme nos palcos. Trata-se de uma moderna estrutura cênica, com 200 lugares, que pretende abrigar espetáculos de dança, teatro e shows musicais.
Atualmente, Autran encena, em São Paulo, a peça Visitando Senhor Green – que, no mês que vem, levará a Portugal, em turnê. Quando voltar, começa a ensaiar o espetáculo Adivinhe Quem Vem Para Rezar, com estréia agendada para agosto, em turnê.
Além do teatro, o ator vai aparecer no cinema, no filme A Máquina, de João Falcão – uma adaptação do livro homônimo da esposa, a escritora Adriana Falcão, que deve estrear em outubro. No longa, Autran interpreta a versão mais velha do protagonista Antônio, que promete dar o mundo à amada Karina e, a partir daí, coloca em funcionamento uma máquina de sonhos, utópica.
50 anosA estréia de Autran como ator foi em 13 dezembro de 1949, com a peça Um Deus Dormiu lá em Casa, de Guilherme Figueiredo. São mais de 50 anos dedicados à arte da interpretação. O ator já encenou mais de 90 peças teatrais, mas participou de apenas três novelas. “Há anos que nem assisto à televisão; acho chato. Ficar passivo vendo bobagem eu não gosto, não”, afirma.
No cinema, foram poucas participações, e o ator destaca o filme Terra em Transe (1965), de Glauber Rocha. “Prefiro o teatro. Costumo dizer que o teatro é a arte do ator, o cinema é a arte do diretor e a televisão é a arte do anunciante”, compara.
Da nova geração de atores, Autran destaca Rodrigo Santoro, Dan Stulbach e Matheus Nachtergaele. “Os três têm uma carreira belíssima, pois têm muito talento”, elogia. Sobre o fato de atores de sua geração como Sérgio Britto, Tônia Carrero e Bibi Ferreira ainda estarem nos palcos, Autran se diz gratificado: “A gente gosta de fazer teatro. Espero que muitos atores novos cheguem à nossa idade e continuem interpretando”.
Para o ator, o teatro brasileiro está em constante evolução. Ele lembra que, quando começou a fazer teatro, uma peça de sucesso ficava no máximo dois meses em cartaz; hoje, pode permanecer durante anos. “Quem assiste a um bom espetáculo fica louco para ver outro, e é isso o que vai aumentando o público”. Autran acredita que, no teatro, a participação do público é mais inteligente, e que os temas e os espetáculos teatrais são superiores aos apresentados pela televisão. “Teatro é uma profissão maravilhosa e que não pára. Há inúmeros textos que não se fez ainda e que podem ser interpretados em qualquer idade. Sou um ator de teatro que gosta de sua profissão – e continuo trabalhando com um prazer enorme”, conclui.