Antes, o negócio de Will Smith era enfrentar alienígenas. Despontou como o salvador da pátria norte-americana em Independence Day e Homens de Preto. Também mostrou sua faceta de detetive e anti-herói em Bad Boys. Um pouco de cada um desses tipos forma o novo alter-ego do astro negro de Hollywood e rapper, que está estampado na telona, a partir de hoje, na megaprodução Eu, Robô. O filme tem pré-estréia hoje em seis salas de projeção e estréia amanhã, em 12 cinemas.
O filme, dirigido por Alex Proyas (O Corvo), já abocanhou a cifra de US$ 116,4 milhões nos Estados Unidos, tirou Homem-Aranha 2 da liderança no top 10 de Hollywood, e deve repetir o sucesso em solo tupiniquim. É ação pura, despretensiosa. No entanto, por trás das cortinas de tiroteios, brigas e perseguições automobilísticas – com direito a lançamento de um estonteante modelo da Audi –, está uma trama bem desenvolvida, truncada, que surpreende no final. O enredo é inspirado na obra homônima de 1950 do escritor americano Isaac Asimov. A relação do longa-metragem com a publicação original vai pouco além do argumento. Ao menos, os créditos finais esclarecem: “Sugerido pelo livro de Isaac”. Não há nada que faça do filme uma obra-prima, tal como foi o cult de Ridley Scott, Blade Runner – O Caçador de Andróides(1982).
All Star Will Smith está na Chicago de 2035. Ele é Del Spooner, detetive que ainda vive na era dos tênis All Stars e dos CDs – coisas do passado na realidade presente do filme, onde robôs são objetos cotidianos dos lares, como uma televisão. Spooner é um tira anti-robótica que sonha em poder “prender” uma máquina por algum crime hediondo. No entanto, os robôs obedecem uma lei que os impedem de causar qualquer mal contra a raça humana, ainda que recebam a ordem para fazê-lo.
Tudo vai muito bem no reino futurista de Chicago até que surge um bug no sistema: Sonny, uma das unidades da mais avançada série de robôs da fábrica URS, é considerado o principal suspeito da morte de Alfred Lanning, o criador da Lei da Robótica. Cabe a Spooner convencer a todos que os robôs podem ser criaturas malignas e detentores do direito, até então humano, do livre arbítrio.
O processo tecnológico usado na criação de Sonny foi idêntico ao utilizado para o personagem Gollum, da série O Senhor dos Anéis, daí a perfeição dos movimentos do robô. Um ator teve vários sensores presos ao corpo e atuou em todas as cenas do personagem. Posteriormente, foi substituído por animação computadorizada, que segue os movimentos gravados por meio dos sensores.
Eu, Robô, apesar da novidade e dos efeitos especiais perfeccionistas – como manda o figurino da indústria cinematográfica ianque –, faz claras referências a filmes sobre robótica. A primeira delas vem logo no início, quando é apresentado ao espectador a maquete gigante de um robô, no centro tecnológico da empresa URS: uma menção discreta ao clássico expressionista Metrópolis, de Fritz Lang, sobre uma grande máquina que comanda a cidade.
Em seguida, são enxertadas doses explícitas da narrativa e climatização noir de Blade Runner e Exterminador do Futuro. Para completar, o robô Sonny ganha sentimentos, mote de Inteligência Artificial (idealizado por Stanley Kubrick e concebido por Steven Spielberg.)