São 56 fotomontagens feitas a partir de imagens de homens e passáros. Mostra já passou pelo Louvre des Antiquaires, em Paris, e Wallywoods Gallery, em Berlim. Entrada é franca
O Memorial dos Povos Indígenas recebe a exposição Homens-Pássaros, do artista francês River Dillo. A mostra traz 56 peças feitas a partir de ensaios fotográficos com modelos brasileiros e indígenas, além de fotos de arte plumária. As fotografias são resultado da mistura entre pássaros e homens, com adornos indígenas feitos com plumas.
A exposição contará ainda, com homens-cobra, homens-peixe e homens-onça, que nasceram de fotomontagens realizadas com fotografias de animais reais, e não apenas de artes indígenas.
Desde o ano 1999, Dillon realiza fotomontagens, que parecem ressuscitar os indígenas que há milhares de anos, em suas lendas, se transformavam em aves. O ponto de partida da criação das montagens são fotografias de arte plumária expostas em museus europeus ou que compõem acervos particulares, além das fotos dos homens e mulheres que são ‘transformados’ em aves.
Atualmente, com a ajuda de softwares de computador, cada montagem dura cerca de quatro dias para ficar pronta. No entanto, algumas peças do acervo chegaram a levar meses para ser finalizadas, como explica o artista: “Antes, eu trabalhava com os negativos das fotografias, colando um sobre o outro manualmente, o que dava um trabalho enorme”.
A exposição passou recentemente pelo Louvre des Antiquaires, em Paris, e Wallywoods Gallery, Kulturhaus Peter Edel, Weissensee, em Berlim, e entre os meses de abril e maio visitou o Museu Arqueologia e Etnologia, em Salvador (BA).
Mitos
Indígenas de diversos povos utilizavam, e utilizam até hoje, plumas em cerimônias espirituais, na forma de diademas, cocares e mantos. Dessa forma, desejavam ficar parecidos com determinadas espécies de aves, ou mesmo a seres surreais; meio homem, meio pássaro, que pudessem voar, chegar perto dos deuses e do sol.
Os homens-pássaro de River Dillon dão nova vida a esses adornos de plumas, que, como por magia dos Povos Indígenas, parecem de novo vestir com suas cores e sua magia os homens-pássaro de antigamente. Para River Dillon, representar um homem como um pássaro é também figurar a alma idealista do ser humano que sonha com a liberdade das araras e dos beija-flores das matas brasileiras.
“Expor esses homens-pássaros em um museu de cultura indígena sul-americana é reunir esses sonhos fotográficos modernos com os mitos indígenas dos homens-pássaro e devolvê-los ao seu verdadeiro contexto: os povos indígenas que continuam a afirmar suas culturas milenares nas terras brasileiras”, explica o artista.
Serviço
Memorial dos Povos Indígenas – Eixo Monumental, em frente ao Memorial JK
Entrada franca
De 04/06 a 03/08, de segunda a sexta-feira das 09 às 18h, finais de semana e
Informações: (61)3344-1155 / 3342-1156