Coadjuvante e protagonista, aparentemente, têm a mesma importância em A Lua me Disse, novela de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa que estreou ontem. Como é marca dos autores – principalmente do criativo Falabella –, vários tipos curiosos e até bizarros prometem entreter a audiência.
Uma delas é Adalgisa, papel de Stella Miranda, que está compondo uma perua de primeiro grau. “Ela se veste no estilo dos anos 60 e se acha gostosa”, descreve Stella, cuja personagem tem ainda a característica de se atirar em tudo que é homem. Stella vai infernizar a vida da irmã, Ademilde (Arlete Salles). “Adagilsa é invejosa, é como a prima malvada da Cinderela”.
Mas tamanho apetite pelo mundo masculino não significa que ela será bem-sucedida: a personagem mira nos homens, mas quem acerta o alvo é Assunta, vivida por Elizângela. “Ela adora um garotão e vai enfrentar muitas mães furiosas, mas se diverte com tudo isso”, adianta Elizângela.
Está bom para você? Mas tem mais. Gibraltar (João Velho), por exemplo, definitivamente não bate bem da bola. Ele é síndico do Beco da Baiúca e reprime os moradores com um apito. Por qualquer alteração, ele apita. “Ele é visto como um pentelho”, diz o ator. Com razão.
E a faminta Dona Gôndola (Thelma Reston)? Essa é outro tipo esquisito. Vive na cama se fingindo de doente só para ser paparicada e comer mais. Fosse a atriz mais gorda, poderia ter o destino de Dona Redonda (Wilza Carla) em Saramandaia , novela dos anos 70: explodir.
preconceitoEsquisitices não faltam. E os da família Mata, como Latoya (Zezé Barbosa) e Whitney (Mary Sheila), são a grande aposta dos autores. Falabella acredita que o riso mora ali. “O núcleo negro é o de que mais gosto e acredito que será o mais divertido”, entrega. O autor sabe que, especialmente com Zezé, sua cria de televisão, tudo sairá do jeito que planeja. “Escrevo para a embocadura delas”, resume.
Essa dupla tem tudo para ser impagável. Elas farão qualquer coisa para fugir às origens, como botar pregador no nariz para afiná-lo, colocar lente de contato de cor clara nos olhos e alisar e aloirar o cabelo. Zezé se diverte: “Adoro Latoya porque ela é meu avesso quando não se assume como negra. Ela se autobatiza como Latoya, porque acha que seu nome, Anastácia, é de escrava. Diz que é morena e passa filtro solar 60 na pele”.
Mary Sheila também cai na gargalhada ao falar de Whitney, na verdade, Jurema: “Ela não se aceita e ainda ofende os negros, mas tudo de modo hilário. Tenho certeza de que vai cair no agrado geral”. Na nova comédia das sete, talento dos autores para caricaturar é o forte.