A pesquisa com os jovens norte-americanos não é motivo para susto ou para levar a pessoa a abdicar radicalmente, por exemplo, do café, o líquido que contém cafeína por execelência. Ela é apenas mais uma teoria envolvendo a tão fustigada cafeína. Até agora nenhuma pesquisa relacionou, de forma definitiva, o café a problemas cardíacos.
É lógico que uma droga consumida por tantos, dotada da propriedade de provocar dependência, acelerar o coração e excitar o sistema nervoso como a cafeína, seja considerada suspeita de fazer mal para o organismo até que se prove o contrário.
Contudo, com exceção da azia, dores de estômago e da insônia que o café pode causar em pessoas sensíveis ou quando ingerido em doses mais altas, até hoje a Medicina não conseguiu demonstrar que essa bebida seja nociva à saúde.
A única dúvida que persiste em relação ao cafezinho está relacionada à doença coronariana, a grande responsável pelos ataques cardíacos. Diversos pesquisadores procuraram caracterizar uma possível associação entre consumo de café e prevalência de doença coronariana, mas os resultados obtidos têm sido conflitantes.
A suspeita de que o café possa aumentar o número de infartos do miocárdio foi recentemente reforçada pela demonstração de que tomar café não filtrado (como o café turco, por exemplo) faz aumentar o colesterol total e a fração LDL, conhecida como “mau colesterol”.
pesquisaA revista Archives of Internal Medicine, uma das mais conceituadas da literatura médica, publicou um artigo de um grupo de pesquisadores finlandeses que é considerado um dos mais completos sobre o tema.
Os cientistas pesquisaram o tema porque, entre outros motivos, na Finlândia, o consumo per capita de café está entre os mais altos do mundo e a mortalidade por doença cardíaca é muito alta no país, o que permite a obtenção de resultados significantes estatisticamente.
No estudo, foram selecionados ao acaso 20.179 homens e mulheres de 30 a 59 anos. A avaliação começou em 1972. O grupo foi seguido por 10 anos.
Os especialistas finlandeses verificaram, entre outros resultados, que a incidência de infartos do miocárdio não fatais nos homens foi a mesma entre os que bebiam café e os abstêmios. Contudo, os níveis de colesterol aumentaram com o número de xícaras bebidas por dia. Os autores explicam esse resultado, pela preferência de muitos finlandeses por café não filtrado.
Nas mulheres, não só a mortalidade por infarto foi mais baixa, mas todas as formas de morte chegaram a diminuir com o aumento do consumo de café.